
Samara Regina Dutra, de 19 anos e grávida, relata ter sido agredida, ameaçada e mantida em cárcere privado pela patroa e por um policial militar após ser acusada de furtar um anel.
Segundo a vítima, as agressões duraram cerca de uma hora. Áudios enviados pela empresária reforçam as denúncias e detalham a violência.
Entenda o caso
Em entrevista ao Fantástico deste domingo (10), Samara Regina falou sobre as marcas dessa violência física e psicológica.
O que deveria ser mais um dia de trabalho terminou em violência e terror para Samara Regina, de 19 anos. Grávida de cinco meses, a empregada doméstica afirma ter sido torturada dentro de uma casa em um condomínio de Paço do Lumiar, no Maranhão, pela patroa e por um policial militar.
A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, apontada como autora das agressões, enviou áudios nos quais relata detalhes das ameaças e da violência praticada contra a jovem.
Empresária suspeitava da jovem
Carolina suspeitava que Samara tivesse furtado um anel desaparecido na residência. Segundo relato da vítima à polícia, a empresária informou sobre o sumiço da joia no dia anterior e pediu que a funcionária ajudasse nas buscas.
Samara afirmou que procurou o objeto das 16h às 21h, sem sucesso. Diante disso, a patroa decidiu chamar um amigo, um policial militar para pressionar a jovem.
O amigo de Carolina chegou à residência pouco depois das sete da manhã. Em um dos áudios, a empresária descreveu a abordagem feita contra Samara e relatou o momento em que o homem, armado, passou a pressionar a jovem sobre o desaparecimento da joia.
“Ele já veio com uma jumenta de uma arma, chega a brilhar. ‘Samara, faz favor, vem cá! Ontem sumiu meu anel, você sabe que aqui não entrou ninguém de fora, só a gente. A única pessoa estranha é você e meu anel não tem perna e nem asa pra andar voando, então eu quero que você vá pegar meu anel de onde você botou”, afirmou Carolina sobre a abordagem do seu amigo policial.
Samara contou que, o homem a ameaçou com a arma para obrigá-la a confessar o suposto furto.
“Falava que, se o anel não aparecesse, eu ia levar um tiro” , afirmou a vítima.
Desdobramentos
A reportagem revelou que, o exame de lesão corporal confirmou que Samara sofreu agressões como socos e tapas no rosto, nas costas e no braço esquerdo. O laudo também apontou manchas pelo corpo e uma lesão provocada por ação de instrumento contundente.
O homem apontado pela investigação como cúmplice de Carolina nas agressões contra Samara é o policial militar Michael Bruno Lopes Santos. Os dois foram presos nesta semana e são investigados por tortura, cárcere privado e tentativa de homicídio.
O que diz os suspeitos
Carolina afirmou não conhecer os policiais que atenderam à ocorrência após Samara pedir socorro. Já Michael confirmou que participou das buscas pelo anel ao lado da empresária e da empregada doméstica e admitiu que, após o objeto ser encontrado, a patroa passou a agredir a jovem.
O policial negou envolvimento direto nas agressões e disse ter deixado o local por não concordar com a violência.
Delegado aponta omissão
No entanto, o delegado responsável pelo caso, afirmou que Michael também pode responder pela tortura por omissão. “Ora, ele é réu confesso, porque a tortura não só se pratica por ação, mas se pratica por omissão. Ele foi omisso. Como policial militar, ele foi omisso”, declarou a reportagem.