
O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã voltou a causar tensão na última semana após relatos de supostos ataques de drones iranianos no Golfo Pérsico. O novo episódio amplia a escalada militar no Oriente Médio, já estendida ao Líbano, e aumenta a pressão sobre a Casa Branca para fechar um acordo que permita a reabertura do Estreito de Ormuz e reduza os impactos da crise nos preços globais da energia.
Em meio ao agravamento do cenário, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, concedeu sua primeira entrevista à televisão americana desde o início da guerra. Embora tenha mantido cautela nas declarações, o líder israelense deu sinais sobre os possíveis desdobramentos do conflito e os rumos estratégicos da região.
Cooperação estratégica
Em entrevista à CBS News, Benjamin Netanyahu, afirmou que a cooperação estratégica entre Israel e aliados internacionais vai além do que é conhecido publicamente.
Segundo Netanyahu, as parcerias envolvem setores como energia, inteligência artificial e computação quântica áreas nas quais, Israel possui forte capacidade tecnológica. O premiê também indicou que novos acordos e compartilhamentos de tecnologia já estão em andamento, embora tenha evitado revelar detalhes.
"Também está acontecendo agora – ou ainda esta semana – uma cúpula entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente Trump. A China é a maior importadora mundial de petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz. Estávamos curiosos sobre o envolvimento militar da China com o Irã", afirmou
Netanyahu também destacou que a ajuda militar dos Estados Unidos a Israel manteve apoio bipartidário ao longo de décadas. Atualmente estimada em US$ 3,8 bilhões anuais, a assistência passou a enfrentar maior debate político diante das mudanças na opinião pública americana sobre Israel e sobre os gastos dos EUA com ajuda externa.
Apoio financeiro dos EUA a zero
Durante a entrevista, Benjamin Netanyahu defendeu que Israel avance para uma maior autonomia militar e financeira em relação aos Estados Unidos.
"Quero reduzir a zero o apoio financeiro americano, o componente financeiro da cooperação militar que temos. Porque recebemos recebemos 3,8 bilhões de dólares por ano. E eu acho que é hora de nos desvincularmos do restante do apoio militar", declarou.
Ao ser questionado sobre quando pretende implementar a medida, Netanyahu afirmou que quer iniciar a redução da dependência militar dos Estados Unidos imediatamente e concluir o processo ao longo da próxima década.
O premiê também reconheceu o desgaste da imagem de Israel na opinião pública americana, especialmente após a guerra em Gaza, e atribuiu parte desse cenário ao impacto das redes sociais, que classificou como uma “frente” adicional do conflito.