
A BR-381, oficialmente batizada de Rodovia Fernão Dias, está entre as principais rodovias do Brasil. Com 562 km de extensão, ela liga Belo Horizonte a São Paulo e integra dois dos maiores polos econômicos do Sudeste.
O trajeto passa por regiões industriais e agrícolas dos estados, o que faz dele um canal de escoamento do que é produzido na região - como o café, laticínios, grãos, produtos químicos e bens de consumo.
Entre as cidades atravessadas pela rodovia, estão Betim, Pouso Alegre, Atibaia, Mairiporã, Bragança Paulista, Guarulhos e a própria capital paulista.
Rodovia da morte
A fama da BR-381 vai além da sua importância logística: o trajeto cheio de curvas e a topografia montanhosa, somado ao fluxo de veículos pesados renderam o apelido de “rodovia da morte”.
Em entrevista ao Portal iG, o especialista em mobilidade Silvestre de Andrade explica que a BR-381 atravessa a Serra do Espinhaço, região montanhosa que exigiu um traçado sinuoso, com rampas muito íngremes e curvas fechadas. Esses trechos não acompanharam as exigências do tráfego moderno e, por isso, são incompatíveis com os veículos atuais.
“Quando a 381 foi projetada, não existiam caminhões de sete, nove eixos circulando. O traçado sinuoso e as rampas fortes, somados ao relevo montanhoso, fazem com que a estrada tenha um potencial maior de acidentes”, diz.
Os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que mesmo após várias alterações, o trajeto segue difícil: até o momento, a estrada é a quarta rodovia federal com mais acidentes no país em 2025, com 2.188 ocorrências que resultaram em 111 mortes.
As colisões traseiras lideram as estatísticas (440 registros), seguidas por saídas de pista, choques contra objetos fixos e batidas laterais. A maior parte dos acidentes acontece em sequência de curvas ou logo após elas.
Além disso, segundo os dados da PRF, as cidades de Betim (MG), Mairiporã (SP) e São Paulo (SP) são as cidades com o maior número de ocorrências.
Para Andrade, as limitações da BR-381 explicam a sua periculosidade. “O potencial de acidentes é maior porque há dificuldades para os veículos pesados vencerem as rampas íngremes ou para fazer curvas em velocidades mais altas. Além disso, ainda existem trechos em pista simples, o que aumenta a dificuldade de ultrapassagem e, consequentemente, o risco de colisões”, afirma.
Alterações
A Fernão Dias recebeu vários investimentos em duplicações e concessões. Um dos trechos mais conhecidos é o chamado “Corredor Dom Pedro I”, que vai do km 9,3 ao km 48,3, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Ainda assim, algumas partes seguem em pista simples, sobretudo no sentido Belo Horizonte–Governador Valadares, o que faz das ultrapassagens movimentos muito arriscados.
Para Andrade, algumas medidas de engenharia podem contribuir para reduzir os riscos da BR-381: a duplicação dos trechos que ainda são de pista simples, a implantação de terceiras faixas em subidas íngremes, a construção de rampas de escape em curvas mais fechadas, além da instalação de iluminação pública e do fechamento de acessos irregulares.
Ele também destaca a transformação de cruzamentos em desnível e a criação de variantes em áreas muito sinuosas como soluções para tornar a rodovia mais segura.
“As travessias urbanas também são críticas. A de Belo Horizonte é a mais importante, mas há outras que geram conflitos entre o tráfego local e o rodoviário pesado. Tudo isso precisa ser tratado dentro das concessões da 381”, avalia.
Papel dos motoristas
Andrade salienta que, apesar da via ter seus desafios estruturais que colaboram para o rico maior de acidentes, o comportamento dos motoristas também é um fator-chave para a segurança. “Mais de 70% dos acidentes têm o condutor como componente principal”, lembra o engenheiro.
Ele aponta que os hábitos mais simples - como não beber e dirigir, evitar dirigir cansado ou com sono, usar cinto de segurança e não se distrair com o celular - são pontos determinantes para uma viagem segura.
“Em rodovias, onde as velocidades são maiores, o tempo de reação a imprevistos é menor. Qualquer distração ou veículo em más condições, como freios desgastados ou pneus carecas, aumenta significativamente o risco de acidentes. Portanto, atenção do condutor e manutenção adequada do veículo são essenciais para reduzir tanto a ocorrência quanto a gravidade das colisões” , conclui o especialista.