O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) movimentou Brasília nesta semana e chamou atenção não apenas pelo conteúdo, mas também pela duração. Foram cerca de quatro horas de leitura do voto do ministro Alexandre de Moraes . Mas, afinal, o que dá para fazer em quatro horas no Brasil?
Seis pontes aéreas
Em quatro horas é possível atravessar os céus brasileiros diversas vezes. A chamada “ponte aérea” Rio–São Paulo, um dos trechos mais movimentados do país, dura em média 40 minutos. Isso significa que, no mesmo período em que Moraes lia seu voto, um passageiro poderia fazer seis viagens entre Congonhas e Santos Dumont, com direito a descer e embarcar novamente.
A escalada ao Pico da Neblina
Quem prefere aventuras na natureza poderia usar esse tempo para chegar ao ponto mais alto do Brasil. O Pico da Neblina, em plena Amazônia, tem 2.995 metros de altitude. A subida completa exige dias de caminhada, mas o trecho final, a partir do acampamento base, pode ser vencido em cerca de quatro horas de escalada intensa. Ou seja, o mesmo tempo gasto na leitura do voto daria para conquistar o topo do país.
A força das Cataratas
Outro exemplo impressionante vem das Cataratas do Iguaçu, no Paraná. O conjunto de quedas d’água é um dos maiores espetáculos naturais do planeta, despejando em média 1.750 metros cúbicos de água por segundo. Em quatro horas, isso equivale a mais de 25 milhões de metros cúbicos (ou 25 bilhões de litros) despencando diante dos olhos dos visitantes.
Cleópatra nas telonas
No cinema, quatro horas são praticamente o tempo exato do épico Cleópatra (1963), estrelado por Elizabeth Taylor e Richard Burton. O filme tem 4 horas e 3 minutos, ou seja, quem começou a sessão junto com Moraes só terminou depois que o voto foi encerrado.
Fermentação do pão artesanal
Na cozinha, quatro horas também são suficientes para transformar ingredientes simples em promessa de fartura. É aproximadamente o tempo necessário para a fermentação lenta de uma massa de pão artesanal antes de ir ao forno.
Maratona de séries
Se a opção for descansar no sofá, em quatro horas dá para assistir à primeira temporada de uma série curta, com episódios de 40 minutos, como Round 6: O Desafio ou Wandinha.
Produção de cerveja
O Brasil é um dos maiores produtores de cerveja do mundo, com cerca de 14 bilhões de litros por ano. Isso significa que, em quatro horas, saem das fábricas mais de 6 milhões de litros da bebida.
Dois jogos de futebol
O tempo também dá para acompanhar dois jogos completos de futebol, incluindo intervalo e acréscimos, ou seja, 180 minutos de bola rolando e 30 minutos de conversa de bar.
Viagem de carro
Para quem gosta de estrada, em quatro horas dá para ir de São Paulo a Belo Horizonte, ou de Brasília a Goiânia com bastante folga, sem parar no caminho.
Produção de café
O Brasil colhe cerca de 3,2 milhões de toneladas de café por ano. Isso equivale a aproximadamente 1.500 toneladas em quatro horas, grãos suficientes para abastecer milhares de cafeterias.
O coração humano
No mesmo tempo, um coração humano bate, em média, 17 mil vezes. Ou seja, enquanto o ministro lia cada parágrafo, milhares de pulsações mantinham o corpo funcionando.
Navegação em cruzeiro
Em alto-mar, um navio percorre cerca de 80 quilômetros em quatro horas, o suficiente para mudar totalmente a paisagem no horizonte.
Livros e leituras
Um leitor mediano consegue avançar por cerca de 200 páginas em quatro horas. Ou seja, seria possível começar e terminar um livro inteiro durante o voto.
Spotify sem parar
A cada minuto, mais de 100 mil músicas são lançadas no Spotify. Em quatro horas, são 24 milhões de novas faixas disponibilizadas, mais do que qualquer pessoa conseguiria ouvir em uma vida.
Energia de Itaipu
Na Usina de Itaipu, uma das maiores do mundo, a produção média é de 14 mil megawatts. Em quatro horas, é energia suficiente para abastecer uma cidade de médio porte por meses.
Tempo que impressiona
Essas comparações ajudam a dimensionar o tempo de um julgamento que pode mudar os rumos da política brasileira. Quatro horas podem parecer pouco no calendário da Justiça, mas, no mundo real, são suficientes para cruzar o Brasil de avião, subir o ponto mais alto do país, assistir a Cleópatra, ver bilhões de litros de água despencarem das Cataratas ou até preparar um pão artesanal.