Médico anestesista Giovanni Bezerra, preso acusado de abusar de uma paciente
Reprodução / TV Globo - 14.03.2022
Médico anestesista Giovanni Bezerra, preso acusado de abusar de uma paciente

A delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, afirmou, nesta quinta-feira, que não descarta pedir na Justiça que o médico anestesista Giovanni Bezerra, preso acusado de abusar de uma paciente , seja obrigado a fazer um exame de HIV. Bárbara informou que a  mulher que foi estuprada durante o parto e que teve o crime gravado tomou um coquetel anti-HIV no domingo, seguindo o protocolo para os casos de violência sexual. Ela foi liberada para amamentar o bebê nesta quinta-feira.

"Tudo pode ser requerido judicialmente. Essas medidas invasivas podem ser pedidas desde que justificadas para que se configure um possível crime. Claro, diante da possibilidade de um outro possível crime, que seria a transmissão de moléstia, poderia haver essa possibilidade. Só que nós temos como testar as vítimas. Me parece que esses profissionais de saúde têm que ser cadastrados caso eles tenham alguma doença Eu vou buscar esta informação. Vamos por partes. Tem que se estudar um pouquinho, mas eu não descarto o pedido (do exame de HIV)."

Bárbara Lomba diz que a mulher que foi vítima do médico está muito abalada psicologicamente, mas tem condições de depor:

"Vamos aguardar a vítima do estupro. Falei com ela ontem e foi emocionante. Ela chorou comigo ao telefone. Ela está muito abalada psicologicamente, mas que tem condições da falar, prestar as declarações. Ela está bem, o filho está bem, voltou a amamentar agora, porque estava impossibilitada (por conta do coquetel). É um protocolo tomar o coquetel no caso de violência sexual. Eu a tranquilizei e disse que vamos terminar a investigação. Perguntei se ela estava bem, ela chorou, disse que o filho está bem."

A delegada vai apurar ainda se as vítimas anteriores tomaram um coquetel contra doenças sexualmente transmissíveis.

"Vamos ouvir hoje as duas mulheres que tiveram o parto anteriormente. Já está confirmado que houve sedação. E as informações da equipe de enfermagem sobre as outras duas cirurgias. Os procedimentos foram parecidos."

A policial disse que não está finalizado o levantamento de mais hospitais onde Giovanni Bezerra trabalhou, onde pode haver mais vítimas . Bárbara Lomba informou que acabou de saber que outro diretor de hospital em que o anestesista atuou procurou a delegacia por telefone e se colocou à disposição para oferecer a relação dos pacientes atendidos. Ela disse que vai entrar em contato de volta com a instituição.

"Recebemos de 20 a 30 relatórios de pacientes do Hospital da Mãe, em Mesquita. Acredito que aqui ele tenha trabalhado em partos. Estamos aguardando a relação dos pacientes do Hospital da Mulher. Sabemos que ele trabalhava lá há cerca de dois meses."

Bárbara Lomba disse que toda essa ação criminosa é algo repugnante, que não se imaginava:

"Foi um abuso de poder, de uma posição do agressor em que ele estava com toda legitimidade. A priori, ele se utilizava desta posição de que não seria suspeito. E mais abominável ainda é a vítima estar totalmente indefesa na mão de uma pessoa que é um profissional de saúde, na qual se deposita uma confiança extrema. Uma das maiores confianças que podemos depositar é na mão de um médico. Ainda mais em uma cirurgia."

Após a justiça converter para preventiva a prisão do anestesista , a Seap o transferiu para o Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. O suspeito foi levado Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, pouco depois das 20h. A unidade é destinada a presos que têm nível superior.


Veja o passo a passo de como equipe de enfermagem desmascarou anestesista estuprador

Quando chegou ao local, pouco depois das 21h10, detentos do presídio começaram a sacudir as grades, vaiar e xingar o anestesista, como forma de protesto . Assim como em Benfica, por segurança ele ficará em uma cela isolada na galeria F.

A unidade abriga presos de casos conhecidos, como Jairinho, que aguarda julgamento pelo caso da morte do enteado, Henry Borel . Outro que também estão na unidade é o delegado Marcos Cipriano , preso na Operação Calígula, que mirou a exploração ilegal de jogos de azar pelo bicheiro Rogério de Andrade, e Maurício Demétrio, preso acusado de participar de uma organização criminosa que extorquia comerciantes em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.

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