Bruno: música indígena virou símbolo de sua luta
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Bruno: música indígena virou símbolo de sua luta

Na manhã desta sexta, foi iniciado o velório do indigenista Bruno Pereira, assassinado no Vale do Javari, no cemitério Morada da Paz, em Paulista, região metropolitana do Recife (PE). O caixão foi exposto por volta das 9h30, coberto com bandeiras do estado de Pernambuco, do Sport - time de coração de Pereira - e com uma camisa da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari.

Os corpos de Pereira e do jornalista Dom Phillips foram entregues às famílias somente nesta quinta, mais de duas semanas após seus desaparecimentos. No domingo, Phillips será enterrado, em Niterói.

Nesta sexta, os xukurus foram o primeiro povo indígena a chegar no velório, por volta das 10h. Durante todo o dia de quinta, eles realizaram um ritual, pedindo "força aos encantamentos" para a passagem de Pereira. No velório, o cacique Marcos Xukuru afirmou que agora o objetivo é dar continuidade ao legado do indigenista.

"Guerreiro Bruno hoje se torna um mártir da causa indígena, das causas populares e daqueles que lutam em defesa da vida. Bruno hoje representa a todos nós. Desde às 4h de ontem estávamos em ritual, pedindo força aos nossos encantamentos, porque entendemos que hoje Bruno vira um ser encantado, retorna ao solo sagrado, e volta para nos alimentarmos enquanto espírito e darmos continuidade a essa grandiosa luta em defesa da vida. Defender a terra, a Amazônia, a mata sagrada e o meio ambiente."

O cacique também aproveitou para criticar a gestão do presidente Jair Bolsonaro, e relembrar as mortes recentes de outras lideranças indígenas.

"Esse desgoverno que aí está não nos representa. Foi colocado desde o primeiro momento que ele não ia demarcar um palmo de Terra Indígena. Tem cumprido rigorosamente e indo mais além, flexibilizando todos os procedimentos e dando abertura para aqueles que têm interesses obscuros dentro dos nossos territórios, e assim causando todos esses transtornos e assassinatos de várias lideranças. Hoje se torna público, mundialmente, a situação de Dom e Bruno, mas quantas outras lideranças foram tombadas? Quantos guerreiros temos notícias que foram assassinados durante esse governo, em função da luta?", protestou Marcos Xukuru.

Durante a cerimônia, a cunhada de Bruno Perereira, Thany Rufino, leu, bastante emocionada, a mensagem escrita pela família.

"A família está se despedindo do Bruno com o coração cheio de gratidão por ter tido ele em nossas vidas. A vida de Bruno foi de coragem, dedicação e fidelidade à causa dos indígenas. Bruno tinha uma missão, iluminou sua causa e levou ela para o mundo. Nesse momento, e durante toda a última semana, indígenas de todo o país fizeram rituais de passagem e homenagearam Bruno Pereira. Agradecemos a todos, aos familiares, aos amigos, aos indígenas e a todas as pessoas que oraram, buscaram, trabalharam, representaram Bruno. Somos eternamente gratos. Que Deus em sua imensidão possa retribuir a todos e às suas famílias. Agora estamos dedicados ao amor, ao perdão e à oração."

Segundo as investigações, que já prenderam quatro suspeitos pelo crime, os dois foram assassinados no Vale do Javari (AM), quando se dirigiam à cidade de Atalaia do Norte. A suspeita é de que as mortes foram cometidas por pescadores que se queixavam da atuação de Bruno Pereira em repressão à pesca ilegal na região, que sofre influência do narcotráfico.

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