Dom Phillips e Bruno em ilustração que pede justiça pelo assassinato da dupla
Reprodução / Arte de Cris Vector
Dom Phillips e Bruno em ilustração que pede justiça pelo assassinato da dupla

Servidores da Funai e ativistas ligados à causa ambiental protestaram neste domingo em Brasília cobrando justiça pelo assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips , que foram mortos no Vale do Javari, no Amazonas. Os manifestantes também pediram a saída do presidente da Funai, Marcelo Xavier.

Durante o ato, os presentes denunciaram o que chamam de “desmonte” da Funai e o aumento do risco a indígenas e ambientalistas. Colegas do indigenista Bruno Pereira compareceram à manifestação e criticaram a postura da Funai em relação ao caso.

Na semana passada, a Justiça determinou que a instituição retirasse do ar uma nota que, para a juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe, tentava culpar as vítimas. A decisão judicial proibiu a instituição de "desacreditar a trajetória do indigenista Bruno da Cunha Araújo Pereira e do Jornalista Dom Phillips".

"O assassinato dele é decorrência da omissão do Estado brasileiro, de um governo federal que destruiu a política ambiental e a política indigenista. É o terceiro colega da área de índios isolados que morre em decorrência de sua atuação só no período do governo Jair Bolsonaro, na gestão do Marcelo Xavier. Isso é inadmissível", afirma o servidor Guilherme Martins, que trabalhou com Bruno. "Enquanto o meu amigo Bruno estava sendo brutalmente assassinado no Vale Javari, o presidente da Funai veio a público difamá-lo."

Os servidores também pedem reforço da segurança nas bases da Funai no Vale do Javari, com envio de membros da Força Nacional. Os funcionários temem que quando a repercussão sobre o caso diminua, os indígenas e os servidores da Funai na região sejam alvo de violência.

"Nós queremos trabalhar, fazer as coisas certas, conforme a lei. A Funai está aí para a demarcação, para a proteção dos povos indígenas, e não está fazendo isso. Não é só dar cesta básica, tem que dar condições para eles se defenderem do garimpo, dos que estão invadindo suas terras. A reivindicação é que dê condições dos servidores fazerem o seu trabalho", afirma o servidor indígena Kamuu Dan Wapichana.

No protesto, os manifestantes também cobraram que as investigações conduzidas pela Polícia Federal deem respostas completas sobre o crime. Até o momento, a  PF prendeu três pessoas que estariam envolvidas nos assassinatos. Na semana passada, a corporação afirmou que não haveria mandante do crime contra Dom e Bruno , linha que seria descartada, o que gerou revolta.

"Temos que questionar quem mandou matar Bruno e Dom. A investigação não para por aqui, acreditamos que o crime tem sim mandante", afirma o servidor Luiz Carlos Lages, que cita ainda o armamento utilizado pelos criminosos e as suspeitas de que Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, tenha participado de ataques à base da Funai.

O servidor Guilherme Martins complementa que Bruno e a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) fizeram diversas denúncias às autoridades, o que poderia indicar o interesse de criminosos da região em silenciá-los.

Neste domingo, os servidores divulgaram um manifesto pedindo reestruturação da Funai e a retirada de Marcelo Xavier da presidência.

"Lutamos para que as investigações cheguem até a ampla cadeia de crime organizado instalada no Vale do Javari e para que nunca mais tenhamos que passar por situação semelhante, o que requer a imediata proteção dos nossos colegas indigenistas, dos Povos Indígenas e de suas lideranças, organizações e territórios. Para isso, precisamos dar um BASTA na atual gestão anti-indígena instalada na Fundação Nacional do Índio e reunir nossas forças para estruturar mínimas condições de trabalho e segurança para a execução da nossa missão institucional de promover e proteger os direitos dos Povos Indígenas", diz parte do texto.

Procurada neste domingo, a Funai não se manifestou.

Em nota de pesar divulgada na quinta-feira, o órgão disse que Bruno Pereira deixa um imenso legado para a política de proteção de indígenas isolados e de recente contato, área em que se tornou um dos principais especialistas no país.

“A fundação lamenta profundamente a perda e manifesta solidariedade aos familiares e colegas do indigenista. A instituição, em especial as equipes da CGIIRC (responsável por índios isolados e de recente contato) e das Frentes de Proteção Etnoambiental, se despedem de Bruno com profunda admiração, respeito e carinho. A Funai também se solidariza com a família, amigos e colegas do jornalista britânico”, diz a nota.

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