Presidente da comissão é um advogado bolsonarista simpatizante do regime militar
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 26/04/2022
Presidente da comissão é um advogado bolsonarista simpatizante do regime militar

O governo de Jair Bolsonaro anunciou que pretende encerrar a CEMDP (Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos). O órgão, fundado em 1995, tem como uma de suas principais atribuições localizar corpos de pessoas que desapareceram no período da ditadura militar , "no caso da existência de indícios quanto ao local da ocultação", afirma o site do governo federal. A decisão de fechar ou manter a CEMDP será tomada em reunião marcada para o próximo dia 28 de junho, convocada pelo presidente da comissão, Marco Vinícius Pereira de Carvalho.

Após 27 anos de trabalho, poucos corpos foram localizados. Entre eles, está o do ex-deputado federal Rubens Paiva, torturado e assassinado nas dependências de um quartel militar entre 20 e 22 de janeiro de 1971. Seu paradeiro só foi descoberto 40 anos depois, após ex-militares envolvidos no caso terem sido intimados a depor.

Também foi possível identificar, na vala comum do cemitério de Perus, em São Paulo, as ossadas de cinco desaparecidos políticos: Dênis Casemiro, Frederico Antonio Mayr, Flávio de Carvalho Molina, Dimas Antônio Casemiro e Aluísio Palhano Ferreira. Quatro deles foram assassinados pelo Destacamento de Operações de Informações (DOI), do 2.º Exército, e um pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops paulista.

Na região do Araguaia, apenas dois corpos dos mais de 60 desaparecidos na guerrilha do PCdoB foram localizados, mesmo depois de o major Sebastião Curió confessar 42 execuções de prisioneiros ao jornalista Leonencio Nossa. A Lei 9.140/95, que criou a comissão, previa o seu fim quando todos os trabalhos estivessem concluídos.

O presidente da CEMDP, Marco Vinícius Pereira de Carvalho, é um advogado bolsonarista simpatizante do regime militar que foi nomeado para o cargo pela então ministra Damares Alves, que trabalhou no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos entre 2019 e abril deste ano. Antes de assumir a presidência da CDEMP, promoveu ações que tentaram impedir a posse do ex-presidente Lula (PT) como Ministro da Casa Civil, em 2016, e o impeachment do ministro do STF, Dias Toffoli.

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