CTI denunciou a invasão de garimpeiros nesta quarta-feira (21)
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CTI denunciou a invasão de garimpeiros nesta quarta-feira (21)


A União dos Povos Indígenas  do Vale do Javari (Unijava) e o Centro de Trabalho Indígena (CTI) informaram nesta terça-feira que receberam denúncias de uma invasão de garimpeiros à comunidade de Jarinal, na Terra Indígena Vale do Javari, no Oeste do Amazonas, para uma festa em que indígenas foram abusadas sexualmente.

Ainda de acordo com o CTI, índigenas foram ainda forçados a beber gasolina com água e álcool etílico com suco. Na comunidade Jarinal vivem 160 pessoas do povo Kanamari e 47 indígenas Tyohom-dyapa, povo de recente contato que nas últimas décadas sofreu um forte decrescimento populacional por um histórico de doenças e conflitos.

A região do alto Jutaí, acima da aldeia Jarinal, é habitada exclusivamente por indígenas isolados.

Em áudios por aplicativos de conversa, membros da aldeia Jarinal pediram socorro aos demais parentes do povo Kanamari e pediram urgência na ação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e demais órgãos responsáveis. As denúncias foram encaminhadas pelo Conselho Indígena dos Kanamari do Juruá e Jutaí (Cikaju) e pela Associação dos Kanamari do Vale do Javari (Akavaja).

“Eles chegaram sem autorização de ninguém, foram invadindo, fizeram festa na aldeia e embriagaram os parentes”, relata uma liderança Kanamari, segundo o CTI, que recebeu os pedidos de ajuda da comunidade e que prefere não ter seu nome divulgado com medo de represálias.

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De 2012 até 2019, 17 crianças Kanamari e Tyohom-dyapa morreram na aldeia Jarinal, a maior parte delas por enfermidades infecto-respiratórias. No mesmo período, outros seis adultos morreram.


Em 2019, a região já havia sido invadida por garimpeiros e uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal destruíram 60 barcas de garimpo. o. A atual invasão acontece na mesma região, onde os garimpeiros voltaram a se instalar, diz o CTI.

Para atuar na fiscalização das invasões, a Funai mantém bases de proteção etnoambiental. Em 2021, o órgão realizou processo seletivo destinado a contratação temporária de agentes para as bases, porém os selecionados não estão atuando na área da aldeia Jarinal, o que tem facilitado as invasões.

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