O vereador do Rio e youtuber Gabriel Monteiro
Roberto Moreyra/Agência O Globo - 31.03.2022
O vereador do Rio e youtuber Gabriel Monteiro

Após denúncias reveladas contra o vereador do Rio Gabriel Monteiro (PL), em reportagens do programa Fantástico, da TV Globo, a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) estão investigando casos envolvendo o parlamentar. As acusações são de abuso sexual, estupro e assédio sexual, entre outros. O programa exibiu, nos dois últimos domingos, entrevistas de ex-assessores e de mulheres que relataram terem sido vítimas do político, que é youtuber e ex-PM.

Monteiro, no entanto, já estava sendo investigado pela 16ª DP (Barra da Tijuca) a pedido da promotoria em inquérito que apura uma suposta tentativa de suborno cometida pelo empresário Jailson dos Santos Salazar, dono da J.S. Salazar. A empresa teve seu contrato suspenso com município do Rio para administração de pátios e reboques .

Nesse caso, o vereador afirma que foi vítima de extorsão. O empresário, que chegou a ser preso em flagrante pelo parlamentar, nega. Na decisão que determinou a libertação de Salazar após a audiência de custódia, o juiz Rafael de Almeida Rezende destacou: "não se pode descartar a tese de flagrante preparado”. O magistrado pontuou que a participação dele no episódio "sugere que a ação de Gabriel Monteiro tenha fins eleitoreiros".

Após a primeira reportagem do Fantástico mostrar que Monteiro instruiu uma criança a falar que estava com fome e que seu pai era alcoólatra, o Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores abriu uma apuração para investigar se o político cometeu alguma irregularidade. Ele nega todas as acusações.

Uma campanha encabeçada pela Sleeep Giants Brasil destinada a retirar patrocínio das redes sociais de Monteiro já tem o apoio de pelo menos dez marcas.

Confira os inquéritos em que Gabriel Monteiro está envolvido

Abuso sexual, estupro e assédio

No domingo, 27 de março, a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá abriu um inquérito para apurar a denúncia da ex-assessora de Gabriel Luiza Caroline Bezerra Batista, de 26 anos. Ela trabalhava para os canais do vereador na internet e afirma que algumas situações inconvenientes de que foi vítima estão registradas nos vídeos em que ela ajudava a gravar. Na quarta-feira o vereador, que havia sido intimado a prestar esclarecimentos à Polícia Civil, faltou. Sua defesa disse que ele não havia sido notificado e que ele vai depor na próxima quarta-feira.

A delegada Gisele do Espírito Santo informou que vai investigar outras acusações feitas por outras entrevistadas do Fantástico que relataram ter sido vítimas de estupro e de assédio.

Violação dos direitos de criança

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Na segunda-feira (28), após reportagem do Fantástico sobre criança que foi exposta pelo vereador em seu canal, a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Infância e Juventude da Capital instaurou um inquérito para apurar se a menina teve seus direitos violados.

Ela aparecia em um vídeo do parlamentar, publicado nas mídias sociais, dizendo que naquele dia “ficaria sem comida”. Já as imagens sem edição exibidas pelo programa da TV Globo, no entanto, mostram que ela teria dado o depoimento após ser instruída por Monteiro, que tem milhões de seguidores em diferentes redes sociais.

Segundo o MPRJ, podem ser adotadas medidas para a remoção do vídeo da internet, sem que seja descartada a hipótese de ajuizamento de uma ação judicial para a obtenção de indenização por dano moral coletivo. Horas após a decisão da promotoria, Monteiro retirou as imagens de seu canal.

Na última quinta-feira, a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) abriu um inquérito para apurar a conduta de Monteiro no vídeo. Os policiais querem saber se ele violou algum direito da menina. Os pais da criança também devem ser intimados a prestar esclarecimentos. Gabriel Monteiro será intimado a depor.

Vazamento de vídeo íntimo com adolescente

Na quinta-feira (30), a Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o vazamento de um vídeo em que o vereador e uma jovem de 15 anos aparecem mantendo relações sexuais. O político e a família da adolescente procuraram a polícia para registrar o caso. Acompanhada da mãe, a jovem esteve no dia 28 de março na 42ª DP (Recreio). Em depoimento, a adolescente disse que a relação foi consensual, informação repetida pela mãe dela. Contou ainda que o relacionamento entre os dois começou há dez meses e seria de conhecimento de sua família, mas ela afirmou ter dito ao vereador que tinha 18 anos.

Uso de servidores da Câmara para edição de vídeo e escolta

Na última sexta-feira (dia 1º de abril), a 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania da Capital instaurou uma investigação contra Monteiro para apurar se ele usava servidores lotados na Câmara dos Vereadores do Rio, que recebiam dos cofres públicos, para trabalhar na produção de vídeos exibidos em suas redes sociais.

Além disso, a promotoria vai cobrar explicações da Câmara Municipal do Rio de detalhes de como é feita a escolta do parlamentar. Ele usa policiais militares portando fuzis. Monteiro nega e diz que "paga por fora" os serviços dos profissionais. Por sua vez, dois editores de vídeo que trabalharam com Gabriel disseram que eles recebiam apenas da Câmara.

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