Lula em acampamento do MST
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Lula em acampamento do MST

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (19), em discurso a uma plateia de apoiadores em Londrina (PR), que precisa “de pelo menos metade” do Congresso como base aliada em um eventual novo governo petista.

Lula visitou um assentamento do Movimento dos Sem Terra (MST) na cidade paranaense acompanhado de lideranças do PT e do ex-governador Roberto Requião, recém-filiado à legenda.

"Vamos ter que eleger muitos deputados e senadores que pensem como a gente. A gente não pode votar colocando raposa no nosso galinheiro, a desgraçada da raposa vai comer as galinhas, ela não vai deixar as galinhas livres, não vai", afirmou o ex-presidente.

Em seus mandatos presidenciais, o PT governou em alianças com partidos do chamado Centrão, como MDB, PP e PL, que posteriormente votaram em peso a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

"Durante as eleições, eu vou pedir voto para deputado, vocês (apoiadores) tratem de lançar candidatos a deputado porque nós precisamos de pelo menos metade de deputados bons, porque se não a gente não consegue aprovar (projetos), a gente não consegue fazer as coisas", disse.

Lula afirmou que seu plano de governo ainda será formulado “pela sociedade”, mas evitou detalhar propostas.

"João Pedro (Stédile, liderança do MST), pode tratar de organizar a sua tropa, porque o programa de governo não será meu, será construído pela sociedade brasileira para atender às necessidades da sociedade brasileira", disse o ex-presidente, que também afirmou que “no dia 2 de outubro o povo vai dar um golpe no fascismo, nesses milicianos”, em alusão ao presidente Jair Bolsonaro.

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Críticas ao semipresidencialismo

Em sua fala, Lula criticou a comissão criada nesta sexta-feira pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para discutir a adoção de um sistema de governo “semipresidencialista” no país.

Fazem parte da comissão dez deputados, nenhum deles do PT ou do PL de Bolsonaro. São membros, também, personalidades como o ex-presidente e entusiasta do modelo semipresidencialista Michel Temer (MDB) e os ex-ministros do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie e Nelson Jobim. O grupo deve elaborar uma proposta de emenda constitucional (PEC) sobre o tema nos próximos 120 dias.

"Ontem anunciaram uma comissão que vai criar o semipresidencialismo. Eles não conseguiram aprovar o parlamentarismo com dois plebiscitos que foram feitos neste país. Eles então vão tentar fazer uma mudança na Constituição para criar um semipresidencialismo, ou seja, vocês elegem um presidente, pensam que o presidente vai governar, mas quem vai governar é a Câmara através do presidente (da Câmara) e dos deputados, com orçamento para comprar votos de deputados", disse.

Lula criticou também Lira e o chamado orçamento secreto, prática que permite, por meio de emendas de relator, a destinação de verbas públicas a projetos definidos por parlamentares sem transparência.

"Ulysses Guimarães, que foi uma figura humana extraordinária, uma figura política excepcional (...) não tinha 10% da força que tem o Lira hoje como presidente da Câmara. Eles criaram uma coisa chamada orçamento secreto, é um orçamento lesa pátria, porque os deputados começam a governar o país ao invés do governo", afirmou Lula.

A uma multidão calculada pela organização em 5 mil pessoas, Lula salientou por diversas vezes que é preciso eleger uma grande base aliada de parlamentares para viabilizar seu eventual novo governo.


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