Sobre crise, Mourão diz que Rússia exerce 'direito de espernear'
Reprodução: iG Minas Gerais
Sobre crise, Mourão diz que Rússia exerce 'direito de espernear'

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta segunda-feira que a Rússia exerce o seu "direito de espernear" contra o avanço da  Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar do Ocidente, na direção de suas fronteiras. Mourão disse, no entanto, que não acredita que o país vá invadir a Ucrânia.

"A realidade, essa questão da Rússia, da Ucrânia, é algo que já vem há um tempo, vem desde 2014. A Rússia considera aquela região do Leste europeu uma zona de influência dela. Então, no momento que há um avanço da Otan sobre aquela região, ela faz o seu direito de espernear", afirmou Mourão, ao chegar ao Palácio do Planalto.

A Rússia exige um veto permanente à entrada da Ucrânia na Otan. Além disso, o presidente russo, Vladimir Putin, critica a expansão da aliança militar lidereda pelos EUA rumo a suas fronteiras. Para Putin, as forças da Otan e dos EUA deveriam deixar os países do Leste europeu e suspender exercícios perto das fronteiras russas.

Em meio a essas críticas, o governo russo deslocou milhares de militares para a fronteira com a Ucrânia, o que levou os Estados Unidos e seus aliados a alertarem para a chance de uma invasão. A Rússia nega essa possibilidade.

Mourão considera, no entanto, que a a situação não vai piorar até a visita de Bolsonaro à Rússia, prevista para ocorrer em meados de fevereiro. Para o vice-presidente, a manobra militar é apenas uma forma de pressão de Putin.

"Não acho que vai piorar daqui para lá. Não acho que a Rússia vai tomar uma atitude de invadir. A Rússia está fazendo uma pressão. Uma das formas de você buscar intervir em algum assunto é você fazer uma manobra militar. É o que ela está fazendo".

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Mourão também considera que a viagem de Bolsonaro não significa um apoio à Rússia no conflito. Ele ressalta que o país é um parceiro comercial importante do Brasil e que os dois fazem parte do Brics.

"Acho que a aí depende da interpretação que cada um vai querer colocar. Nós estamos afastados desse conflito, mas há algumas pressões de alguns outros países aqui que estão mais envolvidos. Mas, vamos lembrar, o Brasil faz parte de um grupo com a Rússia, que são os Brics. Além de nós termos uma parceria com a Rússia, é um país importante para que a gente tenha negócios. Nós não podemos abrir mão disso aí".

Em entrevista ao GLOBO, o encarregado de negócios na embaixada da Ucrânia em Brasília, Anatoliy Tkach, afirmou que seu governo gostaria que Bolsonaro se manifestasse a favor da Ucrânia durante a viagem à Rússia e disse que a viagem à região seria mais equilibrada se Bolsonaro passasse também por seu país.

No domingo, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, ligou pela segunda vez em menos de um mês para o chanceler brasileiro, Carlos França, para tratar do assunto. De acordo com o Itamaraty, os dois defenderam uma "solução diplomática" para a crise.

Nesta segunda, Mourão também defendeu uma solução "pacífica" para a questão.

"Em política externa, você tem duas visões, a idealista e realista. Eu sempre sou a favor da visão realista. Atuar dentro daqueles que são nossos princípios, de não intervenção, de assegurar a soberania das pessoas sobre o seu território, a solução pacífica dos conflitos. O Brasil vai trabalhar nesse sentido".

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