O governo do Rio de Janeiro está sem números atualizados de casos e mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG)
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O governo do Rio de Janeiro está sem números atualizados de casos e mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG)

Em meio à epidemia de influenza A na Região Metropolitana e à pandemia de Covid-19, o governo do  Rio de Janeiro está sem números atualizados de casos e mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Isso se deve ao apagão de dados do Ministério da Saúde, decorrente do  ataque hacker realizado aos sistemas da pasta na semana passada. Na página inicial de seu painel de informações sobre a Covid-19, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) do Rio de Janeiro exibe um aviso a respeito da indisponibilidade das plataformas do governo federal.

Uma das plataformas em questão é o Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), usado pelos municípios para notificar casos graves tanto de Covid-19 quanto de influenza. As atualizações desse sistema não são divulgadas há mais de 15 dias.

Também estão indisponíveis o e-SUS Notifica e o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O primeiro é usado no registro de casos leves de síndrome gripal, e o segundo, na notificação local de ocorrências e surtos de diferentes doenças, como o próprio surto da influenza. Para ajudar no monitoramento da epidemia de gripe da Região Metropolitana, a SES dispõe, contudo, de outros indicadores, como o número de atendimentos diários nos hospitais.

Como consequência do apagão de dados, a atualização semanal do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi cancelada esta semana.  Em nota, os pesquisadores responsáveis pelo estudo dizem que a falta de informações sobre ocorrências de SRAG afeta, entre outros esforços, o monitoramento da influenza, doença que já provocou epidemia na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e se alastrou por outras partes do país, como São Paulo e Bahia.

"Tal informação é de fundamental importância para avaliar, por exemplo, se a tendência de aumento apontada em diversos estados no boletim do InfoGripe da semana epidemiológica 48 (28 de novembro a 4 de dezembro) já estaria associada ao vírus Influenza ou se ainda seria decorrência majoritariamente da Covid-19, bem como a avaliação preliminardos vírus respiratórios já identificados em casos associados à própria semana 49 (5 a 11 de dezembro)", pontuam os especialistas. A dificuldade de diferenciação se deve ao fato de que o SARS-Cov-2 e a influenza podem provocar sintomas similares.

"Tais ações fazem parte da prestação de serviço do sistema InfoGripe para a vigilância nacional de vírus respiratórios no país, tanto para auxílio às ações dos agentes de saúde nas Secretarias municipais, estaduais e no Ministério da Saúde, como para manter a população informada sobre o cenário epidemiológico atual", prosseguem os pesquisadores.

Eles explicam que os dados da semana epidemiológica encerrada mais recente, a 49, ainda não foram repassados pelo governo federal, impossibilitando a atualização do sistema InfoGripe. "Isso afeta não apenas as análises referentes à semana 49, mas também às semanas anteriores por conta das atualizações de casos já notificados (inserção de resultado laboratorial, evolução do caso para alta/óbito, entre outros), bem como a própria inserção de casos ocorridos em semanas passadas mas que só foram digitados na semana 49", diz a nota.

Os pesquisadores também frisam que estão em contato com as equipes técnicas do Ministério da Saúde e acreditam que o problema se resolverá o mais rápido possível.

Segundo o pesquisador Leonardo Bastos, um dos criadores do InfoGripe, o problema impede a visualização dos dados, não a sua atualização pelos municípios.

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"As secretarias continuam preenchendo as informações. No entanto, o DataSUS, onde constam os dados abertos, saiu do ar. Isso nos impede de "puxar" as atualizações", informa.

Ele explica ainda que, no caso da influenza, o apagão de dados sobre SRAG no Brasil afeta o acompanhamento dos casos graves, já que a maioria das infecções resulta em quadros leves. Na cidade do Rio, as atualizações mais recentes do Sivep indicavam que o número de casos graves relacionados à influenza já ultrapassava aqueles vinculados à Covid-19, como O GLOBO mostrou.

Os números do InfoGripe consistem em estimativas de nowcasting, um método que considera o comportamento histórico das estatísticas em epidemiologia para compensar o atraso na notificação e na atualização de dados. Os cálculos se baseiam nas informações disponíveis no Sivep, que também é a fonte de outras interfaces de informações em saúde, como os painéis Covid-19 das Secretarias municipais e estaduais.

O governador Claúdio Castro (PL) afirmou, na manhã desta quinta-feira, que tem acompanhado junto à Secretaria estadual de Saúde o crescimento de casos de influenza A no estado.

De acordo com Castro, alguns municípios vivem uma epidemia, como a capital fluminense e a Baixada Fluminense. O chefe do executivo estadual destacou que “tem lutado para conseguir as vacinas” para os 92 municípios e acredita que a doença seja “cíclica”.

"O município do Rio já está começando a diminuir a gripe e nós estamos começando a nos preparar para aplicar mais vacina, aumentar a capacidade de atendimento e esperar que essa epidemia acabe. Ela tem tudo para ser cíclica. Temos que vacinar as pessoas, por isso estamos lutando para conseguir as vacinas", disse Castro.

O governador afirmou que “está preocupado com todo o estado”, mas que a capital fluminense é a que está “em pior situação”, seguida de cidades da Baixada Fluminense.

Na terça-feira, a Secretaria estadual de Saúde confirmou que a Região Metropolitana do Rio vive uma epidemia de gripe.

Os casos começaram em meados de novembro e foram se multiplicando rapidamente.  A cidade do Rio foi a primeira a declarar a epidemia, depois veio Japeri.

"Estamos preocupados com todo o estado. A capital agora começou a melhorar, mas está em pior situação. Além da Baixada. Inclusive, hoje a Baixada voltou a vacinar", adiciona. 

Depois de uma semana sem doses, a cidade de Duque de Caxias, retoma nesta quinta a vacinação contra a gripe. A prefeitura informou que recebeu 4.600 doses, mas o número ainda é insuficiente para atender a demanda. Outras três cidades da Baixada seguem sem a vacina da gripe. São elas: Belford Roxo, Mesquita e Nilópolis.

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