Adonis Lopes, piloto sequestrado que frustrou resgate de bandido no Complexo de Bangu de helicóptero
Reprodução/Agência O Globo
Adonis Lopes, piloto sequestrado que frustrou resgate de bandido no Complexo de Bangu de helicóptero

O piloto da Polícia Civil Adonis Lopes de Oliveira, que foi mantido refém por criminosos que queriam libertar um preso do Complexo de Gericinó, contou que 50 minutos sob o poder dos suspeitos . Ele revelou que foi chamado para buscar um casal que estava hospedado em um hotel em Angra dos Reis. Ele estava em casa, neste domingo, quando foi “fazer um favor para um amigo que estava adoentado”. Ele lembra também que os criminosos, na volta para Niterói, ficaram escolhendo em que comunidade iriam pousar, antes de ficar perto da comunidade do Caramujo. Adonis, de 57 anos, vai prestar depoimento na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) que investiga o caso.

"Eu só fui atender um pedido para ajudar um piloto que tinha adoecido. Não sei o motivo por que os bandidos foram parar lá em Angra. Eles estavam em um hotel. O pessoal pediu para pegar um casal lá. Eu disse que iria sem problemas. Chegando lá, havia dois homens. Eles embarcaram e logo em seguida anunciaram que iriam tentar resgatar um preso", lembrou Adonis.

O piloto relatou que os criminosos pegaram armas e colocaram toucas logo em seguida:

"Eles entraram sem capuz, e logo em seguida pegaram os fuzis e colocaram as toucas. Não falaram quem seria resgatado, só que era um amigo e que teriam que resgatá-lo de qualquer jeito. Eu também não perguntei nada. Me fingi de bobo e tentei convencê-los de que aquilo não daria certo. Mas eles estavam convencidos do contrário.Não perceberam que eu sou policial. Até porque estavam com medo e ansiosos. Acho que aquilo uma grande tolice. Fazer uma coisa dessas não iria dar certo. Alguém falou: “Vai lá e vai dar tudo certo”. Foi um mix de audácia com tolice", destacou o comandante.

Adonis disse que alertou as autoridades que estava sequestrado.

"Eu tomei todas as providências para demonstrar para os órgãos aeronáuticos de que a aeronave estava sob interferência ilícita. Eu não vou explicar como foi o código para o caso de um dia alguém passar por isso os bandidos não interfiram"

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Após notarem que o plano não prosperaria, os criminosos decidiram abortar a missão. No trajeto de Bangu para Niterói, eles decidiram em que comunidades poderiam descer.

"Depois da ação, eles pediram para ir para Niterói. Quando eu volto, sigo as rotas das aeronaves, eles comentam: "Aqui é o Complexo da Penha". Eles ficaram escolhendo onde descer, mas o objetivo era ir para Niterói. Quando cheguei perto da comunidade do Caramujo, eles mandaram eu pousar em um platô e fugiram. Eu pensei que seria morto, estava muito vulnerável", desabafou.

Para o piloto, sua experiência na polícia o ajudou:

"Acredito que outros colegas aceitariam essa ordem deles, e o desfecho seria ruim. Eu não aceitei. Primeiro, que não daria certo. Segundo, eu não iria conviver com a estigma de resgatar preso, já que passei a vida inteira combatendo-os". O policial disse que consegue fazer o retrato falado do bandidos.

Procurado, o delegado William de Medeiros Pena Júnior, titular da Draco, afirmou que não dará informação sobre as investigações.


A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) afirmou que aguardará "a evolução da investigação realizada pela Draco e que medidas internas foram adotadas, de imediato, para continuar garantindo a segurança do sistema prisional". A pasta destacou ainda que vai apurar a participação de algum preso no caso. Por fim, a instituição disse que "todas as unidades possuem equipes de segurança prontas para intervir em caso de alguma tentativa de fuga ou de invasão".

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