Thayna de Oliveira Ferreira em foto com Henry enviada a Monique
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Thayna de Oliveira Ferreira em foto com Henry enviada a Monique

A juíza Elizabeth Machado Louro, do II Tribunal do Júri, autorizou o compartilhamento de provas do inquérito sobre a  morte de Henry Borel Medeiros para a investigação que apura o crime de falso testemunho cometido pela babá Thayna de Oliveira Ferreira. O pedido para uso do laudo de extração de conteúdo do aparelho celular elaborado por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) foi feito pelo delegado Henrique Damasceno, depois que a funcionária mentiu em dois depoimentos prestados na 16ª DP (Barra da Tijuca) sobre as agressões praticadas pelo médico e ex-vereador Jairo dos Santos Souza, o Dr. Jairinho, contra o menino.

De acordo com o relatório final do inquérito, que indiciou Jairinho e sua namorada, Monique Medeiros da Costa e Silva, por torturas e homicídio duplamente qualificado contra a criança, as mensagens recuperadas no telefone de Thayna demonstram "omissões e mentiras" no termo de declaração dado por ela em 12 de abril. Na ocasião, ela havia comparecido à delegacia justamente para retificar e completar as informações que fornecera em 24 de março.

Na primeira ida à distrital, Thayna contou aos policiais que iniciou as atividades no apartamento do casal em 18 de janeiro, passando a cuidar de Henry de segunda a sexta-feira, alternando o início da escala de trabalho entre 9h e 11h30, segundo as aulas da escola do menino. Ela narrou que o menino assistia às aulas de maneira de forma tranquila e concentrada e nunca demonstrou nenhuma irritação nem inquietação.

Ela definiu a criança como "boa" e "perfeita" e negou ter presenciado qualquer anormalidade na família, a quem disse ter visto reunida no máximo quatro vezes. A funcionária contou também que Henry lhe fazia algumas perguntas, como "Tia, por que existe a separação?". A babá relatou ainda que, por volta de 9h30 do dia 8 de março, recebeu uma ligação de Monique, que dizia: “Você não precisa ir trabalhar hoje. Henry caiu da cama. Perdi meu bem mais precioso”.

No segundo depoimento, Thayna disse que, por medo, havia mentido quando garantiu que Dr. Jairinho, Monique e Henry viviam em harmonia. Ela afirmou que, "por ter visto o que Jairinho tinha feito contra uma criança, ficou com medo que algo também pudesse acontecer com ela própria”". E relatou três episódios de sessões de tortura contra o menino no mês de fevereiro e garantiu que a avó materna dele, a professora Rosângela Medeiros da Costa e Silva, tinha conhecimento das agressões.

Para Henrique Damasceno, no entanto, a análise das mensagens trocadas por Thayna revelam que aquelas não foram as primeiras situações de violência à qual Henry fora submetido e ainda que as agressões seriam "bem graves do que foi narrado por ela em sede policial". Nas conversas, ela chega a afirmar ao pai e ao namorado que, tamanho o desespero de Henry ao ver Jairinho, fez com que ele chegasse a rasgar sua blusa (“Ele gritava horrores”, escreveu). Ela ainda conta ter ganho R$ 100 do ex-veredor para "ficar quieta".

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