Militar brasileiro teria cometido crimes de abuso sexual durante missão da ONU
Reprodução
Militar brasileiro teria cometido crimes de abuso sexual durante missão da ONU

Um sargento da Marinha brasileira foi condenado a 4 anos, cinco meses e 22 dias de prisão e expulso das Forças Armadas por ter praticado buso sexual em uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), no Líbano, em 2019. A decisão é da Justiça Militar da União, em Brasília, que também determinou a exclusão do sargento das Forças Armadas. Cabe recurso ao Superior Tribunal Militar (STM).

O militar — que não teve sua identidade revelada — foi condenado pelos crimes de constranger alguém, sob ameaça, a manter ato libidinoso diverso da conjunção carnal; e divulgar cena íntima sem autorização. 

O episódio aconteceu em 2019 enquanto o sargento estava no Líbano. De acordo com o MP, ele conheceu duas mulheres por um aplicativo de paquera e "iniciou um relacionamento íntimo com ambas, com a promessa de casamento e moradia no Brasil".

"Em determinado momento, [o militar] constrangeu uma delas, mediante violência e sem consentimento, a praticar consigo ato libidinoso, abusando da confiança nele depositada pela vítima. O militar também teria transmitido a terceiro, via aplicativo de mensagens, sem o consentimento da ofendida, cena de sexo, envolvendo a vítima, identificando-a expressamente como sua namorada", afirma o Ministério Público.

O acusado nega violência contra a vítima e, sobre a divulgação de fotos índimas, diz não haver prova de que a foto é de uma das vítimas.]

"Ora, se ele manda uma foto de rosto, abraçado com a vítima, dizendo que esta é a 'minha namorada libanesa' e, depois, manda uma foto, mantendo conjunção carnal, e afirma ser esta a sua namorada, então, restou configurada a violação da intimidade da libanesa, uma vez que a imagem do ato sexual foi a ela atribuída, sem chance, no repasse da imagem, de qualquer contestação", diz a decisão da juíza federal da Justiça Militar Flávia Ximenes Aguiar.

"Restou evidente que o sargento era 'habitué' e vezeiro em aplicativos de relacionamento e expôs o bom nome da Força de Paz e do Brasil ao se envolver, de forma leviana e irresponsável, com as locais, sem um mínimo de preocupação com o desenrolar de suas aventuras, a ponto de a ONU ter acionado as cláusulas do Memorandum of Understanding, para que o Brasil tomasse as providências sobre a noticia criminis registrada naquele Organismo Internacional", conclui a decisão da magistrada.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários