Moradores do Jacarezinho denunciam cenas de abuso policial
Reprodução/TV Globo
Moradores do Jacarezinho denunciam cenas de abuso policial

Um dos homens presos durante a operação policial no Jacarezinho (RJ) , que matou 28 pessoas, disse à Justiça que foi obrigado pelos agentes a carregar mais de 10 corpos para dentro de um "caveirão", carro blindado usado pela Polícia do Rio de Janeiro.

"Ele botou a gente pra descer num beco assim, tinha vários corpos assim no beco. E ele falou: bora, você vai ser obrigado a levar esses corpos aqui. [...] Já comecei a chorar e ele: Chora, não. Querendo pegar minha cara e tacar assim na tripa do moleque que estava para fora", contou o homem, no dia 8 de maio, dois dias após a operação.

Ele, porém, teria negado a ordem do policial e começou a levar "várias porradas" para que ele carregasse os cadáveres . De acordo com o preso, a cena se repetiu em mais de "10 corpos". "Eu falei: eu não vou levar esse daí, não. Aí ele começou a me bater, falando que eu era obrigado a levar. Eu falei: não vou levar não, não vou levar não, não vou meter a mão nisso daí, não. Aí ele: bora, mete a mão logo. Começou a me dar várias porradas para meter a mão. Mais de dez corpos ele fez isso comigo", afirmou.

De acordo com parte dos vídeos das audiências de custódia, laudos de corpo de delito e outros documentos referentes às prisões no Jacarezinho, divulgados inicialmente pelo UOL e acessados pela Folha de S. Paulo , os presos relataram ter sofrido chutes, socos e outros tipos de tortura pelos agentes, como já havia citado a Defensoria Pública.

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Os depoimentos também contradizem os boletins médicos dos mortos na ação, que descrevem corpos com as vísceras para fora ou com "faces dilaceradas". Além disso, também diz que as pessoas foram encaminhadas já mortas aos hospitais. "Eles pisavam na cara falando que não era para olhar para a cara deles. Era mais de uns 10, 15, toda hora sobe dois, três e dão chute na cara", disse outro homem em frente ao juiz.

A Polícia Civil, no entanto, não se manifestou sobre as acusações de torturas. O diretor de Departamento de Homicídios, Roberto Cardoso, disse, no dia da operação, que "não houve execução" ou torturas, e que toda a ação foi realizada dentro da legalidade, em legítima defesa.

A maioria dos presos foi levada para novos exames de corpos de delito e a apuração das agressões foi remetida às promotorias competentes e, em ao menos um caso, à Corregedoria da Polícia Civil. Já as  mortes estão sendo apuradas pela Delegacia de Homicídios da capital fluminense e por uma força-tarefa criada pelo Ministério Público.

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