Operação policial no RJ
Reprodução / TV Globo
Operação policial no RJ

 O traficante Wallace de Britto Trindade, conhecido como Lacoste, planeja criar em Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro , uma espécie de cinturão, para o qual já até escolheu um nome: Complexo de Jerusalém . Sua ideia é formar um bloco de favelas subjugadas à sua facção, aos moldes do que foi feito por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, que estabeleceu o chamado Complexo de Israel. A Polícia Civil faz investigações sobre a tentativa do bandido de expandir seu controle na região.

Atualmente, Lacoste controla o Complexo da Serrinha, em Madureira. Ele quer juntá-lo aos morros da Congonha, do Cajueiro e Vaz Lobo, dominados pela maior facção criminosa do Rio . Para isso, vem intensificando ataques às favelas.

De acordo com as investigações, uma das táticas usadas por Lacoste é arregimentar bandidos da quadrilha rival. A troca de facção é proposta com oferta de maior participação nos lucros do tráfico.

Segundo o delegado Neilson dos Santos Nogueira, titular da 29ª DP (Madureira), o nome Complexo de Jerusalém, assim como o de Israel, que abrange as comunidades de Cidade Alta, Parada de Lucas, Vigário Geral, Cinco Bocas e Pica-Pau, tem como inspiração uma proximidade do tráfico com um grupo religioso . Mas, para o policial, trata-se apenas de “marketing do crime organizado”:

"A facção de Lacoste e Peixão tem traficantes que se dizem evangélicos. Eles citam passagens da Bíblia para justificar algumas ações. É puro marketing. Se eles realmente seguissem o que diz o Livro Sagrado, não seriam bandidos".

O babalaô Ivanir dos Santos, que faz um trabalho em defesa da liberdade religiosa no Rio, teme que casos de perseguição religiosa passem a ocorrer caso o Complexo de Jerusalém seja criado. Ele frisa que a região de Madureira tem tradição em cultos de origem africana.

"Essa possibilidade do tráfico se associar a um fundamentalismo religioso preocupa. É possível que haja um aumento de tensão entre seguidores da umbanda e do candomblé", alerta Ivanir.

Postagens na internet

No Twitter, criminosos fazem postagens prometendo a criação do Complexo de Jerusalém e ameaçando rivais. “Guerra avisada. Perde quem quer”, escreveu um. “ A hora tá chegando, depois não digam que não avisei. Cerco sendo fechado. Complexo de Jerusalém em breve”, publicou outro.Os investigadores da 29ª DP (Madureira) têm acompanhado uma migração de traficantes para o bando de Lacoste. Um dos últimos a trocar de lado, segundo a polícia, foi Anderson da Silva Baptista, conhecido como Fraldinha, ex-segurança de Ademir da Conceição Manhães, o Tevez, que era chefe do tráfico no Morro do Cajueiro.

De acordo com investigações da Polícia Civil, Fraldinha é suspeito de ter matado Tevez no dia 28 de janeiro deste ano, no Morro do Cajueiro, atravessando em seguida para a Serrinha. O criminoso teria levado armas de sua antiga quadrilha. Para o bando de Lacoste, Fraldinha passou a ser peça fundamental na tentativa de dominar o Cajueiro.

Com as investidas de Lacoste, criminosos rivais têm contra-atacado. No dia 5 de março, bandidos do Morro do Cajueiro foram à Serrinha e mataram o traficante Jefferson dos Santos Bernardino, de 23 anos. Segundo informações obtidas pela polícia, os bandidos se vestiram como garis e subiram pela Rua Doutor Joviniano. Já na comunidade, atacaram os rivais e fugiram.

Para a Polícia Civil, o principal objetivo de Lacoste, com a expansão planejada por ele, é aumentar seus lucros não apenas com a venda de drogas, mas com a cobrança de taxas de comerciantes e com o controle da venda de gás e de sinal de internet, práticas comuns da milícia, mas que já foram adotadas pelo criminoso em suas áreas de domínio.

E Lacoste não apenas adotou práticas de paramilitares: o traficante se aliou a eles. De acordo com informações da Polícia Civil, ele tem uma aliança com o grupo de Edmilson Gomes Menezes, o Macaquinho, que atua em Campinho e na Praça Seca. O pacto de cooperação fez cessar as guerras que existiam entre a quadrilha de Lacoste e milicianos, fazendo com o que o traficante tenha como único foco atacar os rivais do Cajueiro, Congonha e Vaz Lobo.

Lacoste , de 34 anos, está foragido desde 2007 e tem dez mandados de prisão em aberto. O Disque Denúncia oferece mil reais por informações sobre seu paradeiro.

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