Eduardo Paes e Daniel Soranz mostram resultados da gestão de Crivella no RJ
O Antagonista
Eduardo Paes e Daniel Soranz mostram resultados da gestão de Crivella no RJ

O prefeito do Rio de Janeiro , Eduardo Paes , e o secretário municipal de saúde, Daniel Soranz , criticaram a gestão anterior de Marcelo Crivella por investir errado na abertura de leitos para Covid-19. Neste domingo, Soranz compartilhou um vídeo que mostra o Hospital municipal Ronaldo Gazolla, que é uma unidade de referência no tratamento do Coronavírus, recebendo novos leitos.

Segundo o secretário, só foi possível ampliar a rede com a contratação de equipes médicas. Foi, então, que Paes se manifestou e citou diretamente o erro de investimento na abertura do hospital de campanha do Riocentro, na Zona Oeste, que ficou mais ocioso e parado do que recebeu doentes. A unidade acabou fechada ainda durante a pandemia.

"Filme da primeira semana de janeiro, permitiu que o @HMRGazolla realizasse 952 internações neste mês. Hoje são 400 leitos ativos. Não se abre leitos sem aumentar as equipes! Obrigado a todos os profissionais pela confiança! Não basta abrir leitos, tem que monitorar de perto para garantir a qualidade assistencial #trabalhoemequipe", escreveu o secretário Soranz em seu perfil no Twitter.

Eduardo Paes compartilhou as informações e deixou clara a sua crítica à gestão de Crivella. O prefeito, inclusive, comentou que as pessoas questionam como o Rio tem um índice de letalidade superior ao de São Paulo, sendo que a capital paulista tem uma população maior que a capital fluminense. Para Paes, o colapso está justamente no mal investimento do dinheiro para criar leitos em hospitais já disponíveis.

"Vê aí. Enquanto um hospital pronto ficava fechado, um hospital de "campanha" fake era aberto por 20 milhões de reais por mês no RioCentro. Depois alguns não entendem porque o Rio tem um índice de letalidade que é quase o dobro de São Paulo", escreveu o prefeito.

Relatório sobre o Hospital de Campanha do Riocentro

Soranz, então, publicou uma planilha que mostra que os gastos para ter um bloco cirúrgico no Hospital de Campanha do Riocentro foi de R$ 120 mil, um valor seis vezes maior que uma internação no Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro, que custa apenas R$ 20 mil. Segundo o secretário, foi a estrutura montada no Riocentro que dificultou o funcionamento ideal do lugar.

"Uma internação em um hospital cirúrgico e com altíssima complexidade como Souza Aguiar custa 20 mil reais, no hospital de campanha do Riocentro cada uma custou 120 mil. A estrutura temporária improvisada dificultou muito o desempenho clínico no H. de Camp. do Riocentro.

Ainda em dados mostrados pelo secretário, o índice de mortalidade no Hospital do Riocentro foi maior que outros quatro hospitais de campanha montados na cidade: 709 mortos em leitos de enfermaria, o que acarreta 25% do total de internados, e 145 mortos em UTI, um total de 66%. Cerca de 92% das 3.036 internações no Hospital do Riocentro foi de perfil de baixa complexidade em leitos de enfermaria e, apenas 8% dos pacientes atendidos foram em leitos de UTI.

Ainda segundo parte do relatório apresentado por Soranz no Twitter, a unidade de saúde a pior eficiência em assistência superando até mesmo o Hospital de campanha do Leblon, na Zona Sul, que admitiu em leitos de UTI três vezes mais pacientes e teve menos óbitos que o Hospital do Riocentro.

O Hospital de Campanha do Riocentro foi aberto pela prefeitura do Rio no dia 1º de maio de 2020, quando a cidade vinha numa crescente acelerada de casos de Covid-19. Tinham apenas 20 leitos de UTI e 80 de enfermaria. Na época, o comando da unidade estava nas mãos da cardiologista Valesca Antunes Marques, de 44 anos. Ao longo da pandemia, a unidade passou a ter cerca de 400 leitos de enfermaria e 100 de UTI, totalizando 500. Mas em julho 16 de julho de 2020, ou seja, dois meses e meio depois de aberto, o hospital perdeu 200 leitos voltados à Covid-19.

No início de novembro do ano passado, a então secretária municipal de Saúde, Beatriz Bush, informou que o Hospital de Campanha do Riocentro seria totalmente desativado. Na época, haviam apenas 100 vagas ocupadas das 500 criadas. A unidade foi a última em atividade exclusiva para pacientes de coronavírus no estado do Rio.

Desde então, nenhum número sobre o total de internações, de altas, e mortes em enfermarias e UTIs haviam sido informados pela Secretaria municipal de Saúde. Isso até o secretário Soranz publicar parte do relatório no seu perfil no Twitter.

Castro quer assumir Hospital Federal

As informações repassadas por Soranz surgem menos de uma semana depois que o governador em exercício do Rio, Cláudio Castro, afirmou que deseja assumir o Hospital Federal da Lagoa. Na última quarta-feira, dia 24, Castro disse que deseja que a unidade passe a ser uma unidade estadual ou que tenha a administração compartilhada. A afirmação foi feita em entrevista à TV Globo, na terça-feira. A medida, segundo ele, abriria leitos para pacientes com Covid-19 que estão na fila por vagas em unidades de saúde. Castro espera entrar em um acordo com o governo federal.

Segundo ele, equipes da Secretaria estadual de Saúde devem fazer uma vistoria no Hospital da Lagoa para verificar as condições dos leitos que não estão sendo usados. Conforme Castro, a ideia é que um acordo seja assinado ainda esta semana para que, na semana que vem, o estado já comece a ofertar leitos .

'A decisão foi começar pelo Hospital da Lagoa. Então, a gente já começou a conversa hoje (terça-feira) e nos próximos dias a intenção é que ou estadualize inteiro ou que saia daqui com gestão compartilhada, para que a gente abra de 300 a 450 leitos só neste hospital", afirmou Castro.

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