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O desabafo do médico Nelson Muzel, que trabalha na Unidade de Pronto Atendimento de Itaquera, na zona leste de São Paulo, ganhou as redes sociais. O profissional usou o Instagram na noite de sábado para denunciar uma festa com som alto acontecendo ao lado da unidade, que atualmente conta com 73 pacientes internados com covid-19.

“Olha só, a gente não consegue falar com os pacientes no quarto, porque o barulho é tão grande ali dentro que a gente não consegue se ouvir e nem ouvir o que o paciente está falando. Prefeito Bruno Covas, governador João Doria, vêm aqui trabalhar no nosso lugar. Vem aqui, ó. Vê se dá para trabalhar desse jeito? Não tem condição”, afirmou o médico.

Ele ainda apontou a falta de respeito com quem está "dando sangue para prover para esses pacientes qualidade de vida".

"A gente está trabalhando em situação insalubre. Isso é insustentável. Não tem a menor condição de dar qualidade de atendimento para esses pacientes. A gente já está num nível de saturação que não dá para aguentar. Isso aqui é uma baixaria. Não tem a menor condição de se fazer alguma coisa aqui. A gente exige respeito, a gente exige resposta. Amanhã, são esses caras aqui (que estão na festa) que a gente está atendendo aqui dentro", apontou.

Além da postagem, o médico alega que ligou para polícia “um milhão de vezes”, porém, não teve uma ação para conter o barulho. "Isso é um absurdo. A gente sai da nossa casa, corre o risco de estar aqui, trabalhando numa situação inóspita, trabalhando numa situação insalubre, e a gente não tem a menor condição de trabalho aqui”, concluiu.

A reportagem do IG entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura e também do Governo do Estado de São Paulo solicitando um posicionamento sobre o caso.

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Em nota oficial conjunta, o Governo do Estado e a Prefeitura repudiaram "qualquer ato que represente risco à saúde pública, como festas clandestinas, que, além disso, causam transtorno à população e aos pacientes, como no caso exposto".

"Somente neste sábado, as ações em conjunto de ambas as pastas com o Procon e Prefeitura de São Paulo resultaram em 350 dispersões de aglomerações, 26 estabelecimentos foram autuados e dois eventos encerrados. Paralelamente, a Polícia Militar realiza a Operação Paz e Proteção para evitar a formação de pancadões, com o objetivo de coibir a formação de pancadões em todo o Estado. Desde o início do ano, essa ação resultou em 755 pessoas presas, mais de meia tonelada de drogas apreendidas, além de 1.385 veículos roubados ou furtados recuperados", aponta o documento.

Por fim, ambos lamentaram "a falta de consciência e de senso de coletividade de todo e qualquer cidadão que promova ou compactue com este tipo de atividade".

"Todo local que infringe a legislação e desrespeita as normas sanitárias vigentes, bem como as regras de funcionamento estipuladas pelo Plano São Paulo, está sujeito à fiscalização, autuação e até interdição. Qualquer pessoa pode denunciar festas clandestinas e funcionamento irregular de serviços não essenciais pelo telefone 0800-771-3541 e também no site www.procon.sp.gov.br ou pelo e-mail [email protected], do Centro de Vigilância Sanitária", apontou.

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