Criminosos mortos na calçada após confronto com PMs na favela Jorge Turco, em Rocha Miranda, no ano passado
Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Criminosos mortos na calçada após confronto com PMs na favela Jorge Turco, em Rocha Miranda, no ano passado

Apesar de o número de mortes causadas por policiais em 2020 ter sido o menor nos últimos três anos no Rio de Janeiro , segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), e de ter caído em relação a 2019 (-31,7%), ele segue em um patamar alto. Se levado em consideração o parâmetro de mortes violentas em território fluminense, que soma os óbitos por homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal e pelas mãos de agentes do estado, pode-se dizer que a polícia está por trás de 25% dos 4.892 registros. Ou seja, a cada quatro mortes violentas, uma é em decorrência de alguma ação policial.

Em 2020, o número de mortes por agentes do estado, como denomina o ISP , foi de 1.239. A quantidade só é menor que nos anos de 2007 (1.330), 2019 (1.814) e 2018 (1.534). A maioria das mortes por intervenção policial aconteceu na capital (33%) e na Baixada Fluminense (32%). As delegacias de Belford Roxo (54ªDP) e Alcântara (74ªDP), em São Gonçalo, foram as que mais anotaram casos em suas regiões, 70 e 74 respectivamente. Entre as oito áreas de delegacia com mais mortes deste tipo, duas são em São Gonçalo. Todas aconteceram em locais onde há domínio de facções do tráfico de drogas .

Procurada, a Polícia Militar ainda não se manifestou sobre os números. A Polícia Civil , por sua vez, afirmou que "todas as mortes ocorridas na atual gestão da Sepol foram de criminosos em confronto, que reagiram às ações legítimas dos policiais, sempre em operações planejadas, registradas e informadas, dentro dos parâmetros legais".

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Mortes por intervenção de agentes por região:

  • Na Zona Sul da capital: 167
  • Nas zonas Norte e Oeste da capital: 245
  • Baixada Fluminense: 402
  • Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Região dos Lagos: 317

Bairros, por delegacia, onde há mais registros de mortes em ações policiais:

  • Alcântara, São Gonçalo (74ªDP): 74 mortes
  • Belford Roxo (54ªDP): 70 mortes
  • Pavuna (39ªDP): 62 mortes
  • São João de Meriti (64ªDP): 58 mortes
  • Bangu (34ªDP): 54 mortes
  • Rio do Ouro, São Gonçalo (75ªDP): 49 mortes
  • Ricardo de Albuquerque (31ªDP): 44 mortes
  • Angra dos Reis (31ªDP): 40 mortes

Ano com menos policiais mortos

Um número positivo observado no levantamento de 2020 é em relação às mortes de policiais , tanto em serviço, quanto à paisana. Em 2020, o ISP mostra que foram observadas 51 mortes de policiais militares e oito de policiais civis. Foi o ano com menor número de mortes de agentes desde o início da contagem, em 1998. As principais circunstâncias da morte se dividem em Letalidade Violenta (42 mortes) e acidentes (10). Foram 17 mortos em serviço e 42 vítimas enquanto estavam em folga.

O ISP não contabilizou as mortes de agentes por causa natural, por Covid-19 ou ocorridas fora do estado do Rio de Janeiro.

'Letalidade violenta'

Um dos índices que melhor ajuda a explicar o panorama da violência no estado é o de letalidade violenta. Nesta categoria, os pesquisadores do ISP levam em consideração a soma dos homicídios dolosos, latrocínios, casos de lesão corporal seguida de morte e as mortes por agente do estado.

Ao todo, foram 4.892 pessoas mortas por algum destes crimes durante 2020, um número 18% menor que em 2019, mas que se mantém num patamar alto, principalmente tratando-se de um ano de pandemia. A maioria dos mortos foram jovens negros do sexo masculino.

  • Homicídios dolosos: 3.536 — queda de 11,7% em relação a 2019
  • Latrocínios: 87 — queda de 25,6% em relação a 2019
  • Mortes por agentes do estado: 1.239 — queda de 31,7% em relação a 2019
  • Lesão corporal seguida de morte: 30 — queda de 15% em relação a 2019

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