Madalena Gordiano vivia em condições análogas à escravidão
Reprodução/TV Globo
Madalena Gordiano vivia em condições análogas à escravidão

Madalena Gordiano , de 47 anos, ficou conhecida por todo  Brasil  ao viver em condições análogas a escravidão por 38 anos, pela família Milagres Rigueira, em Minas Gerais . Porém, sua irmã Filomena Gordiano, gêmea de Madalena também foi entregue a família quando tinha apenas 8 anos de idade e também trabalhou em condições precárias.

Filomena passou a viver na casa de Maria Conceição, tia do Dalton que responde um processo pelas condições em que impôs Madalena, na mesma época em que a irmã e passou situações semelhantes como não ter concluído o ensino fundamental, ter várias horas de jornada de trabalho, não recebia folgas e nem remuneração pelos serviços prestados.

Cláudio Renato, filho de Maria Conceição, disse que Filomena sempre morou com eles desde dos 8 anos e que realmente seu trabalho não tinha carteira assinada, nem férias e nem direitos trabalhistas , mas afirma que não houve exploração. Ainda declarou que Filomena não executava nenhum trabalho quando criança e que passou a ser remunerada quando os serviços começaram.

De acordo com testemunha que preferiu não ser identificada, Filomena tinha exaustivas horas de trabalho e nunca pode se divertir com a vizinhança. "Ninguém via a Filomena na rua porque ela estava sempre trabalhando. Desde criança, ela já tinha de trabalhar para a família", declarou.

Porém, a conduta de Maria das Graças e Dalton com Madalena foi diferente. Filomena, além de ter ganho remuneração pelos seus últimos dias de trabalho, em 2010 saiu da casa de Maria da Conceição para morar com seu esposo e filho.

Ela mantém uma relação cordial com a antiga patroa. Segundo Claúdio Renato, Bruno, filho de Filomena mora com a família de Maria da Conceição e diz que a mãe incentivou os estudos dele e que arcou com parte das despesas acadêmicas de Bruno, que hoje é formado em História. E ainda firma que a decisão de Filomena em abandonar a escola partu diretamente dela, sem interferência de sua mãe Conceição.

Um sobrinho das irmãs Madalena e Filomena, Carlos Gordioano, de 34 anos, decidiu se mudar sozinho aos 14 para Uberlândia com o intuito de conseguir uma vida melhor e diz estar ansioso para se reencontrar com a tia Madalena após 20 anos.

"Mas isso lá (em São Miguel do Anta) é algo comum porque a cidade é muito pequena, muita gente não tem informação e não acha errado viver sob essa exploração. Eu saí da cidade quando fiz 14 anos porque eu já trabalhava e ganhava apenas R$ 4 por dia. Eu não queria isso para a minha vida", diz Carlos.

Madalena, se encontra em Uberaba desde de que foi liberta da casa dos Milagres Rigueira e está na espera da vacina contra o novo coronavírus para retornar a São Miguel. Enquanto isso, ela mantém contato com os seus familiares que permaneceram na cidade todos os dias.

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