Élcio Franco
Júlio Nascimento/Presidência
O secretário-executivo adjunto do Ministério da Saúde, Élcio Franco, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto

O secretário-executivo do Ministério da Saúde , Élcio Franco, disse nesta sexta-feira (27) que o país sofre um "pequeno aumento" de casos da Covid-19. Ele fez a declaração ao ser questionado sobre o sentido da declaração do ministro Eduardo Pazuello, que ontem falou que as regiões Sul e Sudeste do país passam por um "repique" .

Pazuello falou em "repique" de casos e de mortes, afirmando que basta olhar os dados no sistema da própria pasta. Hoje, Franco afirmou que não tem sido registrada alta de mortalidade, o que o ministério considera ser uma consequência da orientação do governo de se fazer o tratamento precoce.

O secretário-executivo atribuiu o aumento de casos nas últimas semanas, em parte, ao afrouxamento de medidas de segurança com as eleições municipais, comícios e festas. A média móvel (dos últimos sete dias) registrada hoje foi de 31,6 mil casos por dia, maior marca desde setembro, segundo balanço das 13h do consórcio dos veículos de imprensa.

"Quando o ministro falou de repique, é que nós identificamos e a própria mídia mostrou isso um afrouxamento, uma negligência das medidas de proteção, como a manutenção de uma distância de segurança, evitar aglomerações, uso da máscara, higienização de mãos e superfícies, uso de ambientes ventilados, todos aqueles cuidados que nós vinhamos tomando", afirmou Franco.

"Então, com o advento das eleições municipais, comícios e outros eventos, até de festas, tem havido uma negligência e isso pode estar em parte explicando um pequeno aumento nas curvas epidemiológicas , em particular nas regiões Sul e Sudeste (...). Mas não temos observado também um aumento na taxa de letalidade", complementou.

Questionado sobre as orientações da pasta à população, no momento de alta de casos e tendo em vista as festas de fim de ano que se aproximam, Franco descartou medidas de isolamento , dizendo que elas não têm eficácia. Segundo ele, a recomendação continua a mesma, com ações como procurar atendimento médico nos primeiros sintomas, higienizar mãos e manter distância segura.

"Não há eficácia também com relação a qualquer medida de isolamento. E ela se presta para que possamos adequar a rede de atenção à saúde . Isso já foi feito em todo o país", disse Franco.

Ele citou aumento de leitos, extensão de horários de atendimento em unidades de saúde, criação de centros de referência para Covid-19 como exemplos das medidas que, na sua avaliação, o Brasil adotou de forma muito adequada para reforçar a rede de saúde.

"Não há porque se falar novamente em medidas de distanciamento social , de isolamento. Não é o caso", enfatizou.

Apesar da declaração do secretário, alguns estados já trabalham num cenário de escassez de leitos para o tratamento da Covid-19 , após a nova alta de casos. Nesta sexta-feira, o Rio de Janeiro registrou ocupação de 92% nas vagas para pacientes graves na rede pública do estado e lista de espera de 120 pessoas.

Helio Angotti, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, ressaltou a diferença entre isolamento, que seria aplicável às pessoas com diagnóstico positivo, e o isolamento social.

"Um distanciamento seguro não quer dizer isolamento social, não quer dizer lockdown , não quer dizer isolamento horizontal. (...) Também há trabalhos recentemente publicados que dizem que a chance de transmissão em pessoas assintomáticas é baixa e pode até mesmo inexistir, mas isso também está em estudos", finalizou.

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