Trem em manutenção da Supervia com dois maquinistas foi sequestrado no Rio
Reprodução/TV Globo
Trem em manutenção da Supervia com dois maquinistas foi sequestrado no Rio

Cenas como as desta segunda-feira(19), de interrupção dos ramais da Supervia , em decorrência de tiroteios e confrontos entre policiais e bandidos , é mais comum que se imagina.

Só no ano passado, ao menos 70 interrupções desse tipo foram feitas pela empresa que administra os trens do Estado do Rio. Neste ano, já são 24 ocorrências nos trilhos da companhia, que corta 12 municípios do Rio de Janeiro. Nesta manhã, criminosos chegaram a sequestrar uma locomotiva de manutenção para fugir da polícia.

Desde o início de 2020, a concessionária informou que já registrou 24 alterações na circulação dos trens por causa de tiroteios nas proximidades das estações. Ao todo, foram 34 horas e 44 minutos de paralisações . No ano passado, foram 70 tiroteios, que culminaram em 69 horas e 10 minutos de alterações na circulação.

Pelo menos um milhão de passageiros foram afetados por essas paralisações momentâneas. Na manhã desta segunda-feira, por conta de uma operação policial na Comunidade do Jacaré, na Zona Norte do Rio, a Supervia precisou paralisar o serviço por quase seis horas no ramal Belford Roxo.

Só nesta ação, cerca de 200 mil passageiros foram afetados. Criminosos que fugiram do Jacaré em direção à Mangueira sequestraram uma locomotiva de manutenção e obrigaram quatro funcionários a os levarem até as proximidades da estação de São Cristóvão.

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Antônio Carlos Sanches , presidente da Supervia, conta que, após tiroteios, é feita uma ação preventiva de manutenção antes de os trens serem liberados. Foi neste momento, que a locomotiva de serviço foi alvo de criminosos. 

Empresa reconhece que segurança é 'insuficiente'

A Supervia tem 270 quilômetros de trilhos e corta dezenas de municípios da Baixada Fluminense. Segundo a empresa, os trens da empresa cortam 122 comunidades. Muitas delas, com bocas de fumo na linha férrea. Para a direção da concessionária, o ramal mais crítico é o de Belford Roxo . São 32 quilômetros dos mais variados problemas e falta de segurança.

"Nesse ramal passamos por diversas comunidades. Muitas delas conflagradas. Mas, temos outros locais. Na semana passada tivemos um tiroteio ao lado da estação de Barros Filho que aconteceu próximo de uma passarela e isso afetou a estação como um todo: um clima de terror", lembrou o presidente da empresa.

De acordo com levantamento da Supervia, criminosos abriram ilegalmente em todos os cinco ramais,  180 passagens de níveis irregulares. Oficialmente, a empresa tem 90 passagens.

Atualmente, a empresa conta com cerca de 700 agentes de seguranças e de plataforma, os que orientam os passageiros. No entanto, nenhum deles tem poder de polícia. Quando acontece alguma intercorrência, a empresa solicita o apoio do GPFEr. Outrora com um contingente de 400 policiais, hoje o batalhão ferroviário conta apenas com 90 agentes. Para a Supervia a quantidade de PMs para a quantidade de quilômetros a serem patrulhados é pouco .

"É insuficiente. Apesar de eles fazerem um ótimo trabalho, são poucos. Temos conversado frequentemente com o governo do estado e as policiais (Militar e Civil), muitas vezes temos apoios em operações. Mas tudo é muito pouco e insuficiente. O fato é: pelo trajeto que cruzamos, é importante ter não só um trabalho de inteligência, mas um trabalho mais ativo de policiamento e fiscalização em alguns locais. É preciso ter mais ações para desmontar o crime em algumas regiões que passamos", afirma Antônio Carlos Sanches.

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