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Cléber Júnior/Agência O Globo
No feriadão prolongado do dia das crianças as praias da Zona Sul do Rio ficaram tomadas de banhistas, que não respeitavam as regras de distanciamento


Quem anda pelas ruas do Leblon tem quase certeza: a Covid-19 não existe mais no bairro. Apesar dos mais de 150 mil mortos no Brasil, sendo 19.284 no Estado do Rio de Janeiro, os banhistas não fizeram cerimônia neste domingo (11) para aglomerar na areia , desrespeitando o uso de máscaras, com seus copos de bebidas e músicas em caixinhas de som.


A dentista Jana Gomes, de 59 anos, que mora em Copacabana , saiu para uma caminhada e ficou assustada com tamanho desrespeito às medidas preventivas da doença:

"Achei que Copacabana estava cheio, mas aqui no Leblon está mais cheio ainda! Acho que as pessoas estão se expondo muito. Tem bastante turista na cidade... Hoje é um bom momento para o coronavírus se espalhar".

A cirurgiã-dentista Hully Borges, de 27 anos, contou que chegou com as amigas do Rio Grande Sul na última sexta-feira para passar o feriado na cidade. Sem uso da proteção individual, disse não se importar com a aglomeração na praia:

"Achei a cidade cheia, mas é um cheio agradável. Não é uma coisa lotada! Dá pra turistar e ao mesmo tempo ver gente".

A pista fechada para lazer também estava lotada : enquanto alguns caminhavam, outros corriam ou andavam de bicicleta e crianças aproveitavam o espaço para brincar. O uso de máscara entre eles era raridade. Uma advogada paulista, de 31 anos, que não quis se identificar, confessou o motivo do descuido.

"Eu já peguei covid, então estou bem tranquila", afirmou.

Em Ipanema e Copacabana, o movimento parecia de um típico dia de primavera. Nem as nuvens, nem o vento afastaram os cariocas das praias.

"Estou achando cheio demais! Mas acredito que amanhã, por ser feriado, pode estar pior!", comentou a assistente social Yanka Martins, de 24 anos, que caminhava pela orla com o namorado.

Barracas também desrespeitaram as normas, alugando cadeiras e mesas. E a disputa era tanta que os preços estavam nas alturas: R$7 e R$10, respectivamente.

A venda de caipirinhas também acontecia sem pudor. O preparo, flagrado pela reportagem, era feito dentro de caminhões de gelo, por ambulantes sem máscara.

Para a infectologista Tânia Vergara, a aglomeração é motivada por uma ambiguidade na orientação feita por parte do poder público.

"As pessoas acham que a pandemia já acabou. Pode bar, pode roda de samba... por quê não pode praia? Essa é uma orientação dúbia!", opinou a infectologista. "Nosso país e nossa cidade nunca ficaram sem casos. Não é como Espanha e outros países que zeraram os casos e agora estão tendo novamente. E toda vez que houver aglomeração, se aumenta o risco", alertou.

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