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Jorge William / Agência O Globo
O ministro da Educação, Milton Ribeiro

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deferiu o pedido da Procuradoria-Geral da República para que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, preste depoimento à Polícia Federal sobre suposto crime de homofobia . Em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", o ministro associou a homossexualidade a  "famílias desajeitadas".

O vice- procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, pediu ao STF abertura de inquérito. No entanto, Toffoli determinou que o ministro da Educação seja ouvido antes. Ele justifica que, primeiro, deve ser instalado um "procedimento preliminar" para depois "instruir eventual pedido de instauração do inquérito".

Na avaliação da PGR, o ministro da Educação "proferiu manifestações depreciativas a pessoas com orientação sexual homoafetiva". No pedido, Medeiros citou dois trechos da entrevista com afirmações consideradas "ofensivas". Em um deles, o ministro da Educação declara:

"Quando o menino tiver 17, 18 anos, ele vai ter condição de optar. E não é normal. A biologia diz que não é normal a questão do gênero. A opção que você tem como adulto de ser um homossexual, eu respeito, não concordo".

Em outro trecho, Ribeiro sugere que o adolescente "muitas vezes opta por andar no caminho do homossexualismo (sic) tem um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe. Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem e caminhar por aí".

Na mesma entrevista, Ribeiro afirmou que a desigualdade no acesso ao ensino remoto durante a pandemia da Covid-19 não é responsabilidade de sua pasta e que, por ele, as escolas retornariam às atividades "na semana passada". Especialistas em educação têm apontado omissão do MEC no debate sobre a retomada das atividades escolares, paralisadas em boa parte do país desde março.

Em rede social, o ministro disse que sua entrevista foi "interpretada de modo descontextualizado". Ele afirma que não teve a intenção de " discriminar ou incentivar qualquer forma de discriminação em razão de orientação sexual."

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