flordelis
Fernando Frazão/Agência Brasil
Por ter imunidade parlamentar, a deputada não pode ser presa, a não ser em flagrante delito


O vereador Wagner Andrade Pimenta, conhecido como Misael, relatou à Polícia Civil que foi ameaçado após ter prestado depoimento no qual apontava sua mãe, a deputada Flordelis dos Santos de Souza (PSD), como mentora intelectual da morte do pastor Anderson do Carmo . Junto com Daniel dos Santos, seu irmão, Misael foi o primeiro a acusar a parlamentar de envolvimento no crime . Os depoimentos de ambos ocorreram dois dias após o crime, em junho do ano passado, na Delegacia de Homicídio de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo.


Em seu último depoimento à polícia, em março deste ano, Misael relatou aos policiais que após ter anunciado sua saída da igreja da mãe, o Ministério Flordelis , recebeu mensagens dela no WhatsApp. De acordo com as declarações do verador, às quais o GLOBO teve acesso, Flordelis “o ameaçou dizendo que mandaria seus irmãos atrás dele e que ela só não o encontraria se o mesmo saísse do país”.

Misael afirma ter ficado com medo e depois disso, passou a se esconder. O vereador disse ainda que “após o que sua mãe disse, com as palavras que usou para ameaçá-lo, acredita que ela seria capaz de fazer mal a qualquer pessoa da família”. O filho de Flordelis disse ainda que não tem mais qualquer contato com a mãe atualmente. Em seu depoimento à polícia, a esposa de Misael confirmou as ameaças feitas pela sogra.

Flordelis foi acusada pelo Ministério Público estadual de ter planejado a morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, assassinado a tiros na madrugada de 16 de junho do ano passado. De acordo com as investigações, o plano para matar Anderson teve início em maio de 2018, quando ele começou a ser envenenado dentro da casa da família. Como o pastor conseguia se recuperar das doses de veneno que recebia, a polícia aponta que a deputada partiu para um plano mais ousado, de assassinar o marido simulando que ele tinha sido vítima de um assalto.

Após o assassinato de Anderson, na garagem da casa da família em Pendotiba, Niterói, Flordelis passou a alegar justamente que seu marido tinha sido vítima de latrocínio (roubo com resultado morte), versão que nunca convenceu os investigadores.

Flordelis foi denunciada por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado, falsidade ideológica, uso de documento falso e organização criminosa majorada. No entanto, sua prisão não foi pedido à Justiça porque a pastora possui imunidade parlamentar. Como deputada, ela só pode ser presa em flagrante por crime inafiançável.

Foram presos pelo crime nessa segunda-feira: Marzy Teixeira da Silva (filha afetiva); Simone dos Santos Rodrigues (filha biolõgica); André Luiz de Oliveira (filho afetivo); Carlos Ubiraci Francisco Silva (filho adotivo); Adriano dos Santos (filho biológico); Rayane dos Santos Oliveira (neta) e Andreia Santos Maia (mulher do ex-policial).

Além dos cinco filhos e da neta da deputada presos ontem, outros três denunciados por envolvimento no crime já estavam atrás das grades: Flavio dos Santos Rodrigues (filho biológico), Lucas Cezar dos Santos (filho adotivo) e Marcos Siqueira (ex-policial);

Os cinco filhos de Flordelis presos nessa segunda-feira foram transferidos à noite da DHNSGI para o presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Até agora, o MPRJ já apresentou denúncia contra 11 pessoas por suspeitas de envolvimento no caso.

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