Senador Major Olímpio (PSL-SP)
Pedro França/Agência Senado - 17.10.19
Senador Major Olímpio (PSL-SP)

Ex-aliado de Bolsonaro, o senador Major Olímpio (PSL-SP) afirma que a verba pública para combater a Covid-19 foi distribuída pelo governo federal a deputados e senadores, para que eles destinassem a municípios de suas escolhas, em troca dos parlamentares formarem uma base de apoio ao presidente. “Me ofereceram R$ 30 milhões", disse nesta sexta-feira (17) ao jornal O Estado de S. Paulo.

O governo de Bolsonaro teria oferecido R$ 30 milhões em emendas para cada senador e R$ 10 milhões a deputados federais, que escolheriam para quais cidades iriam essas verbas segundo o relato de Major Olímpio . O ex-aliado menciona que o dinheiro teria sido distribuído a pelo menos 50 senadores e 200 deputados federais.

Critérios técnicos ou base de apoio dos parlamentares?

"O parlamentar distribuiu o dinheiro para as bases dele. Onde era necessário por o recurso? Onde está morrendo gente. Se era o dinheiro para o enfrentamento do Covid-19 não seriam os infectologistas, os médicos que deveriam definir onde o dinheiro é mais necessário? Em vez disso, é a planilha do senador que vale", afirma.

No dia 1º de julho, o governo liberou R$ 13,8 bilhões em verbas para combate da Covid-19 a cidades e estados. O Ministério da Saúde divulgou que o dinheiro seria distribuído para estados de acordo com o número de leitos em UTI disponíveis para pacientes da doença e a taxa de incidência da Covid-19 por 100 mil habitantes. Para municípios, teria sido levado em conta a quantidade de habitantes e a verba de saúde enviada em 2019. Contudo, o relato de Olímpio contesta essa versão.

O minisério afirmou nesta quinta (16) ao jornal que levou em consideração critérios técnicos para a distribuição da verba da Covid-19 .

Os senadores Marcos do Val (Podemos-ES) e Plínio Valério (PSDB-AM) confirmam o relato feito pelo ex-aliado de Bolsonaro sobre parlamentares terem indicado os municípios, no entanto, negam que tenha ocorrido um acordo pela troca de apoio .

Troca de apoio?

 “Vejo o governo fazendo política e tirando proveito da verba. Um dinheiro, que já existia para o combate à Covid-19, pegam e parte disso oferecem aos políticos para ‘fazer uma média’. Não serão R$ 30 milhões que vão influenciar meu comportamento", afirma Valério. 

O senador do PSDB da Amazônia alega que seu gabinete foi informado pela assessoria da Presidência que poderia escolher municípios para destinar R$ 20 milhões, mas nega que tenha lhe sido oferecido um acordo.

Major Olímpio afirma que não combinaram que o senador teria que votar a favor das pautas do governo no Congresso, mas "era para me prender o rabo com o ‘toma lá, dá cá’".  "Não falaram nada de votação, nada. Mas e na hora que eu batesse, iam dizer: ‘Você aceitou’.”

 "Estou acusando o critério absolutamente imoral de um governo que disse que jamais faria o ‘toma lá, dá cá’, até iludindo parlamentar. Não tem o ‘dá cá hoje’, mas o ‘toma lá’ que eu vou cobrar depois", afirma o senador, que não culpa os colegas por terem aceitado – para eles, muitos foram inocentes –, mas o governo por realizar a oferta.

O senador explica que a oferta não ocorreu para todos, mas para parlamentares “cooptáveis”, "para quem está dentro do jogo do time dos amigos". O convite foi feito por meio de um representante do governo depois que o general Eduardo Pazuello assumiu o posto de ministro interino da Saúde. 

Major Olímpio afirma que "já pagaram para todo mundo que aceitou. Isso está acontecendo com a Saúde em todo o Brasil. É a coisa mais macabra". Ele alega que o dinheiro teria sido pago a dois dias.

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