Caixa de cloroquina com comprimidos do lado de fora
Alexandre Durão/Código 19/Agência O Globo
Cloroquina não tem comprovação de sua eficácia

O Hospital Israelita Albert Einstein disse nesta sexta-feira (26) que nunca teve um protocolo de uso da cloroquina e da hidroxiloroquina contra a Covid-19 após recomendar a seus médicos que não utilizem o medicamento para tratar pacientes contaminados pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).

No comunicado, o hospital diz que se baseou em uma declaração da agência de controle de drogas e alimentos dos Estados Unidos (FDA), que revogou a autorização de uso emergencial dos medicamentos. De acordo com o órgão, os estudos não detectaram eficácia do remédio, além de potenciais benefícios não superarem possíveis riscos.

No Brasil, o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina é umas das principais bandeiras do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para durante a pandemia da Covid-19 junto com fim de medidas de isolamento social.

A defesa dessas medidas foram os motivos para demissão de dois ministros da Saúde em um período de menos de um mês, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

No dia 17 de junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu os testes com a hidroxicloroquina no ensaio clínico global Solidariedade, que pesquisa a eficácia e a segurança de possíveis tratamentos para o novo coronavírus. De acordo com a entidade, os testes com a droga não reduziram as taxas de mortalidade de pacientes hospitalizados com o vírus e ainda apresentaram riscos de arritmia.

Confira a nota divulgada pelo Hospital Israelita Albert Einstein:

O Hospital Israelita Albert Einstein esclarece que nunca contou com um protocolo de uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Médicos do corpo clínico aberto, porém, poderiam prescrever os medicamentos em acordo com os pacientes confirmados com o novo coronavírus, fazendo a utilização chamada de off label, ou seja, fora das indicações homologadas para os fármacos pela agência reguladora no Brasil, a Anvisa. 

Nesta quinta-feira (25/06),  o Einstein recomendou a não utilização, nem em modo off label das medicações  em pacientes internados pela infecção causada pelo Sars-coV-2 no hospital, frente ao recente comunicado divulgado pela agência americana FDA revogando a autorização de uso emergencial do medicamento sulfato de hidroxicloroquina e fosfato de cloroquina no atendimento a pacientes com Covid-19, levando em consideração que os estudos não mostraram diferenças em relação ao tratamento padrão e que os benefícios da utilização dos medicamentos não superaram seus riscos conhecidos e potenciais, além de um estudo controlado randomizado não demonstrar evidência e benefícios em relação à mortalidade, ao tempo de internação ou à necessidade de ventilação mecânica.

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