Gabriel Cândido deu entrada no CER Leblon por causa de um AVC
Arquivo de família
Gabriel Cândido deu entrada no CER Leblon por causa de um AVC

No dia 3 de junho, Gabriel Cândido, de 74 anos, chegou à Coordenação de Emergência Regional (CER) do Leblon, na Zona Sul do Rio, com um quadro de AVC. Após dar entrada, precisou ser internado. Na última quinta-feira (18), o idoso acabou sendo transferido para o CTI de pacientes com Covid-19 da unidade e morreu no dia seguinte. Até agora, a família tenta entender o que aconteceu.

"Ele estava com AVC e problemas nos rins até a última quarta, quando nos informaram que ele havia apresentado melhora, já estava consciente, abrindo os olhos e se comunicando. Mas no dia seguinte o mandaram para o setor de Covid-19 . Não me passaram até hoje exame algum dele nem a tomografia de pulmão que disseram ter feito", conta Simone Nascimento, filha do idoso.

Simone diz ter ficado esperando horas, em vão, no Hospital Miguel Couto, na Gávea, onde estaria a tomografia pulmonar que justificaria a transferência de seu pai, segundo o CER Leblon. Ela conta que no atestado de óbito consta sepse pulmonar como causa da morte. Com diferentes informações e falta dos exames, os filhos acham que a transferência pode ter sido um erro do hospital.

"Teve um dia em que ligaram dizendo que ele iria fazer uma cirurgia por conta de uma lesão no abdômen. Disse que ele não tinha essa lesão, que o problema era o AVC . No dia seguinte, uma outra enfermeira ligou e disse que não tinha nada disso", recorda Simone.

Na sexta-feira, Márcio, também filho de Gabriel, foi ao hospital levar um cobertor e ter informações do pai. Mas, com a demora, acabou indo embora. Horas depois, ligaram pedindo que levassem a identidade do paciente para que pudessem ter notícias pessoalmente.

"Voltamos ao hospital às 18h e esperamos até as 21h para saber que ele tinha morrido. E quem nos atendeu foi uma médica que não tinha cuidado dele e mal sabia de seu estado de saúde", lamenta Simone.

No sábado, a RioSaúde, gestora do hospital, lamentou a morte de Gabriel e disse que “ele era um paciente com doenças crônicas e diversas outras associadas, o que já o tornava um caso grave”. O comunicado diz que, no dia 17, uma imagem pulmonar sugeria Covid-19 : “O exame específico de coronavírus foi feito, mas a unidade ainda não recebeu o laudo”.

Segundo a RioSaúde, ele morreu “após sofrer parada cardiorrespiratória”. A nota diz que “todos os exames realizados estão no prontuário do paciente à disposição da família. O laudo do teste de Covid-19 será anexado assim que for enviado pelo laboratório”.

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