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Reprodução/SBT
Fabrício Queiroz

Alvo principal da operação do Ministério Público do Rio desta quinta-feira, Fabrício Queiroz tenta explicar desde o fim de 2018 uma “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão, no intervalo de um ano, em suas contas, ponto inicial da investigação do Ministério Público (RJ) que apura a prática de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde Queiroz trabalhou como assessor do então deputado Flávio Bolsonaro como chefe de segurança. Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de São Paulo e deve vir para o Rio, onde é investigado.

De lá pra cá, as investigações avançaram e a suspeita de que assessores devolviam parte de seus salários para o parlamentar aumentou após a identificação feita pelo GLOBO de ao menos 102 assessores que trabalharam para família Bolsonaro ter algum parentesco ou relação familiar entre si. Um ano depois de virem à tona, as movimentações financeiras aumentaram em volume e número de envolvidos.

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Ele esteve no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio entre 2007 e 2018 e, no período, emplacou sete parentes na estrutura. Além dele, também foram lotados outros sete parentes dele no gabinete de Flávio desde 2007. Entre os parentes de Queiroz investigados junto com ele, estão a mulher, a enteada e duas filhas, uma delas é a Nahtalia Queiroz, conhecida por ser personal trainer.

Entenda como se deu o início da investigação e o que pesa contra o senador e seus ex-assessores.

Por que Flávio Bolsonaro passou a ser investigado?

No fim de 2018, o Coaf apontou “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão, em 2016 e 2017, nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. Assessores do ex-deputado estadual transferiram recursos a Queiroz em datas próximas ao pagamento de servidores da Alerj. Segundo o Coaf, Flávio recebeu 48 depósitos no valor de R$ 2 mil. Ele afirmou que os depósitos fracionados que somaram R$ 96 mil entre junho e julho de 2017 eram relativos à venda de um apartamento.

Quanto Queiroz teria movimentado em sua conta?

Questionado sobre a movimentação atípica em sua conta, Fabrício de Queiroz afirmou que suas transações financeiras eram fruto da compra e venda de veículos usados. Porém, além da movimentação de R$ 1,2 milhão, o ex-assessor da Alerj também entrou no radar do Coaf por outros R$ 5,8 milhões movimentados nos últimos três anos. Somados, os valores somam transações atípicas de R$ 7 milhões.

O que se sabe até agora sobre a investigação?

Entre as provas apresentadas para sustentar os pedidos de busca da operação contra Flávio e ex-asssesores, os promotores do MP-RJ identificaram 483 depósitos de pelo menos 13 ex-assessores na conta bancária de Queiroz, por transferência, cheque ou dinheiro em espécie, num total de R$ 2 milhões. Outro grupo de ex-assessores que sacavam quase que integralmente o salário recebido também foi identificado. Ao analisar os dados bancários da família Siqueira, o MP verificou que dos R$ 4,8 milhões pagos em salário , R$ 4 milhões foram sacados em espécie. Além disso, conversas em aplicativos de mensagem obtidas no celular de uma ex-assessora reforçam as suspeitas de que havia, de fato, a prática da "rachadinha".

Como funcionava o esquema da suposta "rachadinha"?

Segundo o Ministério Público, os valores recebidos por Flávio Bolsonaro têm origem na prática de “rachadinha” e data de quando ele era deputado estadual entre os anos de 2007 e 2018. Os promotores afirmam que Flávio nomeava assessores orientados a devolver parte de seus salários para o grupo; que o ex-policial militar Fabrício Queiroz fazia toda a operação de recolhimento da remuneração dos funcionários; e que a loja de chocolates de Flávio num shopping da Barra da Tijuca e negócios imobiliários do senador serviam para lavar o dinheiro ilegalmente.

Também aparecem como indícios que completam o esquema, segundo o MP, depósitos em dinheiro na conta da loja de chocolates de Flávio Bolsonaro e a “grande desproporção” de lucro obtidos entre o senador e seu sócio na loja, embora o contrato previsse 50% de cotas para cada um. O advogado de Flávio Bolsonaro nega as acusações.

Quais os crimes que teriam sido cometidos no esquema?

Ao deferir os pedidos do MP para realizar as buscas contra Flávio e ex-assessores, o juiz da 27ª Vara Criminal da Comarca do Rio afirmou que “há indícios de que houve a formação de uma organização com alto grau de permanência e estabilidade, composta por dezenas de assessores da Alerj, nomeados por Flávio Bolsonaro, para a prática de crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro”.


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