Segundo Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, a ala militar  é responsável pelas mudanças de estratégia da pasta nos últimos dias, sobretudo na divulgação de dados da pandemia do novo coronavírus . As afirmações foram feitas neste sábado (6) durante live para o canal IDP, que teve a mediação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM)
Agência Brasil/Marcello Casal JR
Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM)


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"Talvez isso seja o que estamos presenciando: uma ótica muito mais de carreira promocional, de cumprir uma missão e essa missão se passa por sonegar informações, torturar os números", afirmou. O médico ainda disse que, ao nomear pessoas ligadas à carreira militar - e não profissionais da saúde -, o presidente Jair Bolsonaro prioriza outro tipo de abordagem."Que chegue às suas promoções por atos de bravura ou de lealdade extrema, mesmo que burra e genocida", disse o médico.

Para Mandetta, a falta de atualizações claras nas ações do governo federal e o desaparecimento de dados consolidados sobre a pandemia, que tem se intensificado nos últimos dias, podem se dar por causa de interferências políticas de Bolsonaro.

"Isso vai criar problema para abastecimento da rede de saúde, um enorme problema de notificação compulsória, no planejamento de ações baseadas em números e naturalmente da população não saber. Vai começar a surgir também um total de números feitos pela televisão A, um total de números pelo instituto B. A fake news é um campo facundo e depois reclamam dela, porque vão começar a falar que estão maquiando [os números]. Vamos perder e ficar na pior dos mundos", afirmou Mandetta, que disse não entender as mudanças feitas pelo ministério no ponto de vista da saúde, mas sim no da política. "Explica-se no campo das ciências políticas, de manipular os números, esconder os números, não deixar notícias ruins", pontuou.

A live completa você confere aqui:


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