Rio
Pedro Teixeira/Agência O Globo
Nesta terça-feira, cidade começa retomada gradual de diversas atividades

A flexibilização anunciada na segunda-feira pelo prefeito Marcelo Crivella  é vista com preocupação por especialistas. O epidemiologista Roberto Medronho, da UFRJ, teme uma explosão de casos de Covid-19 no Rio.

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"Não é para abrir, é para fechar mais", opinou ele, destacando que a queda do número de internações não significa redução do número de mortes . "Temos visto um número de óbitos em casa bem maior do que no ano passado".

Em entrevista ao programa Bom Dia Rio , Medronho ressaltou que a cidade atingirá o pico da doença quando registrar entre 55 mil e 56 mil casos, ainda esta semana: "mesmo os países europeus que fizeram a abertura na descendência (da curva de casos), com a população bem treinada para isso, o número de casos subiu. Aqui, eu tenho muito medo que exploda. Nenhum país do mundo abriu na ascendência da curva".

O médico infectologista e professor da UFRJ Rafael Galliez, contrário à reabertura econômica, também destaca o alto número de óbitos domiciliares “sem causa definida” na pandemia .

"Além dos óbitos, os estudos mostram que o índice de reprodução do vírus hoje no Rio ainda é alto, então se aumentar a mobilidade da população nas ruas agora vai ser jogar gasolina no processo", disse Galliez.

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Para especialistas, o relaxamento do isolamento social deveria aguardar mais cerca de duas semanas. Professor do Instituto de Medicina Social da UERJ, o médico Mario Roberto dal Poz chama de precipitada a abertura anunciada pela prefeitura .

"O mais correto seria levar essas medidas ao máximo possível, para além do dia 8, quando a curva deve chegar pelo menos no platô ", avalia dal Poz, que teme ainda que falta de controle sobre o cumprimento das regras, como nas praias.

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