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Reprodução/Youtube
Líder comunitário falou sobre desigualdades vividas nas periferias em entrevista ao documentário "A tirania da minúscula coroa"

O impacto da pandemia de Covid-19 não é o mesmo em todas as partes do mundo. Com mais de 22 mil mortes confirmadas no Brasil até esta terça-feira (26), a nova doença contrasta desigualdades sociais e econômicas durante o período necessário de isolamento social. Em entrevista publicada pela série documental "A tirania da minúscula coroa: Covid-19", realizada pelo jornalista Gustavo Girotto, o líder comunitário Gilmar Antônio de Souza - do Capão Redondo , na Zona Sul de São Paulo - fala sobre as dificuldades que a comunidade enfrenta durante a pandemia.

“Eu acompanho de perto o drama de várias famílias. A falta do poder público é imensa. O poder público não dá condições. Como ele pode pedir isolamento para uma família se não dá condições do pai de família colocar comida para os seus filhos na sua mesa?", afirma Gilmar em entrevista divulgada pelo documentário. O líder comunitário, porém, destaca que mais importante do que o afrouxamento das medidas de distanciamento, são ações que possibilitem a permanência da população em suas casas.

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"O contágio é inevitável, ele vai acontecer (...). A cada dia que passa aumenta mais o contágio porque o poder público abandonou as favelas brasileiras. Pede para ficarmos em casa mas não dá condições para nós", diz. Na última semana, o Capão Redondo apresentou, entre 30 de abril e 14 de maio, um crescimento de 110% no número de casos de Covid-19. "Não vai ter como, vai ter um aumento muito grave, um aumento constante do coronavírus dentro das periferias carentes e o mundo vai conhecer a maior carnificina dentro das favelas por falta do apoio do poder público ", reforça.

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Rovena Rosa/Agência Brasil
Na zona sul, Capão redondo registrou alta de 110% no número de casos

De acordo com a prefeitura, os bairros com maior número de mortes por Covid-19 em São Paulo concentram favelas e conjuntos habitacionais. No mês passado, o município informou que a mortalidade na cidade é até 10 vezes maior nesses bairros com piores condições sociais. O estado de São Paulo chegou a 82,1 mil casos de Covid-19 e 6 mil mortos, segundo o boletim mais recente da secretaria estadual de saúde.

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Entre as queixas mais recorrentes relacionadas aos problemas estruturais nas periferias, estão problemas de falta de água e saneamento básico, que dificultam o aceso à higiene básica contra o novo coronavírus. Em nota emitida em março deste ano sobre o assunto, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), informou que passa por uma readequação dos parâmetros técnicos para gerir a demanda durante a pandemia.

No terceiro episódio da série documental de Gustavo Girotto, outros líderes comunitário do estado também falam. José Marcelo da Silva, presidente da Ação Comunitária Nova Heliópolis, afirma "que para quem tem dinheiro é muito fácil estar de quarentena, se tranca dentro de casa, pode pedir o que quiser pelo delivery. Quem mora na favela não tem isso. Para quem mora em em barraco de um cômodo com 10 pessoas é impossível ficar em quarentena”. 

Assista na íntegra a produção que contrasta a luta contra a pandemia em países desenvolvidos como Portugal, China e Canadá e nas favelas brasileiras. 


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