Nesta segunda-feira (18), moradores de Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo, localizada na Zona Sul de São Paulo, prometeram acampar na avenida Morumbi, caso o governador  João Doria (PSDB) não os ouça. O objetivo do grupo é pedir ao poder público atenção a realidade das periferias no combate ao novo coronavírus (Sars-CoV-2).

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Caminhada de moradores de Paraisópolis até o Palácio dos Bandeirantes
Eduarda Esteves / Portal iG
Caminhada de moradores de Paraisópolis até o Palácio dos Bandeirantes

O ato começou por volta das 8h desta segunda-feira (18) e centenas de moradores participaram da caminhada, todos com equipamento de proteção individual e mantendo o distanciamento social

Paraisópolis: mobilização substitui poder público no enfrentamento da Covid-19

Ao passar pela Avenida General Euclides, esquina com a Avenida Morumbi, moradores de Paraisópolis - com intenção de seguir até o Palácio - foram interrompidos de continuar pela Polícia Militar , que fechou a passagem. 

"Estamos vindo rumo ao Palácio dos Bandeirantes, do governo, cobrar políticas públicas para o enfrentamento do Covid nas favelas. São 60 dias da pandemia declarada no estado de São Paulo e até hoje não se criou nenhuma política pública para as comunidades", disse a presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis, Elizandra Cerqueira, durante o trajeto.

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Gilson Rodrigues, líder comunitário e presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis, explica que os moradores vão protestar todos os dias se o grupo não conseguir ser ouvido pelo governador.

Com pouco ou quase nenhum apoio do governo para tentar diminuir a disseminação do novo coronavírus (Sars-CoV-2), o bairro com estrutura de cidade se reinventa. A segunda maior favela de São Paulo , com cerca de cem mil habitantes, criou uma rede solidária para fornecer suporte e evitar mais mortes na comunidade.

''As favelas estão largadas à própria sorte sem nem sequer serem citadas nos pronunciamentos do governo. A Covid-19 escancara a ausência do poder público, não só aqui em Paraisópolis, mas em outras periferias. Falta água, saneamento básico e suporte na saúde'', denuncia Gilson Rodrigues.

Após receber a notícia do chefe da polícia de que João Doria não os receberia, alguns presentes prometem acampar no local. Mas, em grupo, eles decidiram encerrar o protesto e voltar todos os dias desta semana até conseguirem um espaço na agenda do governador. 

Mais tarde, durante a coletiva de imprensa, o governador João Doria (PSDB) disse que “não é verdade que falte água, alimentos e assistência médica em Paraisópolis”.

“Isto não procede. Fizemos a instalação de milhares de caixas d’ água doadas pela Sabesp em Paraisópolis, além da instalação de água corrente em áreas de densidade habitacional em Paraisópolis, gratuitamente, evidentemente, inclusive o fornecimento de sabonete líquido para essa população”, argumentou.

O secretário de Saúde municipal, Edson Aparecido, que também estava na coletiva, disse que Paraisópolis tem quatro quatro equipamentos de saúde “em pleno funcionamento”, sendo uma Assistência Médica Ambulatorial (Ama) que funciona 24h, e fez 2.746 atendimentos entre 1 e 15 de maio, além de 3 Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

“Hoje nós fazemos o monitoramento de 680 pessoas sintomáticas dentro de Paraisópolis pelas nossas equipes, tanto de agentes comunitários como programa de saúde da família. Essas três UBSs em todo o período da pandemia já fizeram 2 mil ações de conscientização da população com os agentes comunitários.”
Segundo Aparecido, Paraisópolis também conta com um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) adulto.

“Nós tínhamos 10 leitos, ampliamos para 22 leitos e hoje 2.020 pessoas têm o acompanhamento psiquiátrico dentro de Paraisópolis."

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