Unicamp produz remédio a baixo custo
Divulgação/Antonio Scarpinetti/Unicamp
Fachada da Unicamp.

O tacrolimo , remédio de custo elevado e essencial para transplantados, foi, pela primeira vez, produzido em uma universidade. O feito foi realizado pela Unicamp , que trabalha há alguns anos para reverter o cenário de insuficiência do remédio, produzindo o tacrolimo em laboratório através de fontes alternativas, visando aumentar sua produção e baratear o custo para o Sistema Único de Saúde (SUS ) e para o paciente.

O Tacrolimo é um dos remédios mais caros da lista do SUS, e passa, desde 2016, por problemas de distribuição. O composto é essencial para pessoas que passaram por transplantes de rim, fígado, pâncreas e coração; associado a outros fármacos, o remédio evita que os anticorpos ataquem o enxerto e, se não for tomado regularmente, o paciente pode perder o órgão transplantado e até chegar a óbito.

“A dependência da medicação também traz sofrimento psicológico ao transplantado, que enfrenta fila no SUS na expectativa de conseguir ou não a medicação. A pessoa só mantém o enxerto controlado graças ao fornecimento contínuo do medicamento”, explicou o professor Marco Aurélio Cremasco, que coordena as pesquisas na Faculdade de Engenharia Química (FEQ).

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O responsável pela produção inédita do remédio na academia foi o aluno Jean Vinícius Moreira. O estudante produziu imunossupressor em meio líquido por bactéria S. tsukubaensis, importada da Alemanha, a partir da fermentação de maltose e de glicose como fontes primárias de carbono, bem como de peptona (substrato) de soja e de licor íngreme de milho como fontes de nitrogênio.

Wilson Murilo Ferrari, em pesquisa de doutorado, cumpriu a etapa seguinte, com um processo inovador para a purificação do caldo fermentado. O cientista explica que a produção de tacrolimo é complexa justamente por causa do processo de purificação e também por se tratar de uma molécula com produtividade naturalmente baixa.

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De acordo com o pesquisador, o remédio produzido atingiu uma pureza bem elevada, em torno de 99,9%. “Isso é muito importante, primeiro, porque a janela terapêutica para aplicação do medicamento é muito pequena, ou seja, a pouca quantidade fornecida ao paciente exige uma elevada pureza. Mas é um imunossupressor bem potente dentro do organismo”, acrescenta Wilson Murilo Ferrari.

“Devido à baixa quantidade, a prioridade é a qualidade e a otimização do processo também para diminuir o custo. Ainda podemos melhorar a produtividade com algumas adaptações, mas o fundamental já foi feito: desenvolver todo o processo, da produção do tacrolimo até sua purificação. Conseguir um órgão é a maior dificuldade para um transplante, por isso, perdê-lo causa um sofrimento enorme”, completa.

O professor Marco Aurélio Cremasco informa que a tese de Wilson Murilo Ferrari sobre o processamento do tacrolimo resultou em depósito de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). “Com o depósito de patente, abrimos a possibilidade de ampliar a escala de produção do tacrolimo. Já conhecemos o caminho das pedras e a busca de transferência da tecnologia para a indústria cabe à Inova – Agência de Inovação da Unicamp. Atualmente, procuramos antecipar o aumento de escala de várias etapas no processamento do fármaco”, finaliza o docente.

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