Rio
André Gomes de Melo/ GERJ
Rio de Janeiro

As áreas que perderam Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em 2018 registraram uma explosão de mortes pela polícia após a extinção das unidades. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam que as oito favelas onde o programa encerrou suas atividades contabilizaram 48 homicídios em ações da polícia no primeiro semestre de 2019.

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O número é mais do que o dobro de casos do mesmo período de 2018 — 22 mortes — e representa um recorde absoluto nessas oito favelas desde que o ISP passou a contar crimes nas áreas do estado com UPPs , em 2007.

Já as apreensões de drogas caíram nas mesmas regiões. Foram 96 ocorrências registradas no primeiro semestre de 2019 nestas oito favelas — menos da metade do número de casos do mesmo período do ano anterior, 216. O número de apreensões de 2019 também é um recorde, mas negativo: desde 2007, nunca foram registrados tão poucos casos nessas favelas.

Apenas duas favelas registraram mais da metade das mortes pela polícia nessas oito áreas. Na Vila Kennedy, foram 18 casos no primeiro semestre de 2019. No mesmo período do ano anterior, a favela — batizada pelo então interventor, general Walter Braga Netto, de “laboratório da intervenção federal” — registrou apenas uma ocorrência. A UPP da Vila Kennedy encerrou suas atividades em junho de 2018.

Já no complexo Fallet, Fogueteiro e Coroa, a quantidade de casos pulou de um no primeiro semestre de 2018 para 13 no mesmo período de 2019. A UPP que englobava as três favelas foi extinta em dezembro de 2018. Na contramão, a Cidade de Deus registrou queda de mortes decorrente de intervenção policial no período: foram 11 casos em 2018 e seis no ano seguinte.

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