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Crescente violência contra pessoas indígenas foi apontado por Marina como um crime de lesa-pátria, ao considerar exploração de reservas nacionais

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Reprodução/Twitter/GuajajaraSonia
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva discursa durante protesto na COP25, em Madri

A ex-ministra do Meio Ambiente, ativista ambiental e candidata derrotada à Presidência da República Marina Silva , fez críticas à Conferência do Clima em Madrid (COP 25). Durante o evento, ela vestia uma camiseta que estampava: "Na luta desde pirralha", em uma provocação ao atual presidente, Jair Bolsonaro, que criticou a também ativista Greta Thunberg após a jovem se solidarizar com a morte de indígenas de Guajajara, no Maranhão. 

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Após os eventos de encerramento da conferência, Marina criticou a gestão Bolsonaro-Salles voltada para as questões ambientais. O aumento da violência contra pessoas indígenas foi apontado por ela como um crime de lesa-pátria, levando em conta a permissão para que a Reserva Nacional do Cobre e Associados ( Renca ) operasse em reservas no Norte do país. 

"Os criminosos estão se sentindo empoderados. Eles apostam na impunidade. O discurso de ódio, de descaso feito contra os índios, que nunca havia sido feito por nenhum Governo, estimula essas milícias rurais e florestais. Como se não bastassem as milícias urbanas agora temos as milícias rurais e florestais que assassinam pessoas com requintes de crueldade", disse Marina ao El País.

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A ex-ministra do Meio Ambiente também afirmou que houve uma forte participação da sociedade civil para lidar com temas relacionados aos jovens e aos indígenas. Ao mesmo tempo, afirma que a pauta de emissões de C02 está em segundo plano.

"No ritmo que estamos não atingiremos a meta de conter as emissões de CO2 em um ano e meio, dois. Ter esse aumento de desmatamento, governos negacionistas, que é o caso de Trump e Bolsonaro, é algo muito preocupante.  E tudo em um contexto em que a sociedade defende os esforços para amenizar as alterações climáticas, mas parece que as grandes empresas e os Governos não querem", disse ao El País. 

A participação do Brasil no evento foi lida como "mercenária" por Marina. Na perspectiva da ex-ministra do Meio Ambiente, o governo de Bolsonaro é negacionista em relação às mudanças climáticas.

"Temos um aumento da violência, aumento de assassinatos de indígenas e lideranças de comunidades. Além de não ter querido sediar a COP 25 . O Brasil foi um mercenário, que prometeu só fazer os esforços de redução das emissões, do desmatamento e das queimadas, se os países ricos pagarem para que se faça isso".