Eduardo Paes
Tânia Rêgo/Agência Brasil - 17.03.16
Ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes , se manifestou sobre a crise da saúde carioca por meio de um vídeo publicado na sua conta oficial do Facebook nesta quarta-feira (11). Ele retrucou a postagem feita pelo atual prefeito da cidade do Rio, Marcelo Crivella , que negocia ajuda federal para a rede municipal de saúde. O setor está em colapso, com a paralisação por 48 horas de 20 mil funcionários de aproximadamente 100 das 220 unidades de atenção primária da cidade. A prefeitura tenta a autorização de arresto de R$ 325 milhões de verbas carimbadas da União para pagar funcionários de organizações sociais (OSs) que administram hospitais e clínicas da família. 

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Na postagem, o ex-prefeito do Rio disse que não dava para ficar sem se manifestar sobre a crise na saúde e prestou solidariedade aos profissionais que estão em busca de melhorias para o sistema. “Chegou a mim um vídeo com uma série de promessas do Crivella , com promessas de 2016. Ele acusa da gente ter tirado dinheiro da saúde, da gente estar fazendo cooptação. O que é uma mentira.  A gente investiu 25% do orçamento da cidade na saúde, fizemos chegamos a 70% de atenção básica na saúde com as Clínicas da Família, principalmente na zona oeste, na zona norte. Fizemos o Hospital da Ilha, o Hospital da Mulher, em Bangu, a nova maternidade do centro, ali na Souza Aguiar", comentou Paes.

Eduardo Paes disse ainda que a Prefeitura chegou a emprestar dinheiro que seria injetado na saúde do estado durante a crise de 2015 e 2016. “Se for lembrar, o Brasil estava quebrado, o governo do estado não pagava servidores e a prefeitura do Rio tinha dinheiro para emprestar dinheiro para o Estado na saúde. Isso mostra bem o que é que é incompetência, o que é incapacidade, o que é mentira e o que o populismo barato pode trazer.” 

O ex-prefeito hoje vive da venda de painéis solares e veículos elétricos. Ao final do vídeo, ele diz que o “Rio não aguenta mais aventuras”, e que esse “tipo de erro” não tem mais espaço. “É gente que não tem compromisso com a cidade, que não entende o rio de janeiro e principalmente não tem capacidade gerencial de governar, te tocar e de fazer máquina andar. Esse certamente, dos vários crimes e problemas que o Crivella traz para o Rio de Janeiro é certamente o mais grave”. 

Crivella em Brasília

Nesta terça (10), Crivella se reuniu com Bolsonaro por cerca de 10 minutos. Após o encontro, o presidente disse que Crivella está "com a corda no pescoço" e disse que vai ajudá-lo "se for possível e legal". Nesta terça, a TV Globo revelou uma petição da prefeitura ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), em que solicita que seja autorizado excepcionalmente um arresto de R$ 325 milhões para pagar funcionários de organizações sociais ( OSs ) que administram hospitais e clínicas da família. Essa verba foi repassada para a União especificamente para obras de infraestrutura.

"Não paramos um minuto. Várias agendas para tratar de um tema só, recursos para a saúde. Somos credores de vários convênios e precisamos desses recursos para colocar em dia os pagamentos para as OSs" afirmou o Crivella fazendo referência a encontros com o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

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A prefeitura anunciou nesta quarta-feira (11), por meio do Diário Oficial do município, a liberação de R$ 36 milhões do Tesouro Municipal para a manutenção e o custeio da rede hospitalar do município e das coordenações de emergência regionais (CERs). O valor, no entanto, não cobre nem 10% do necessário para o setor.

Preocupada com a situação, a bancada federal do Rio quer a criação de um gabinete de crise. Em iniciativa de Jandira Feghali (PCdoB), Marcelo Freixo (PSOL), Pedro Paulo (DEM), como Benedita da Silva (PT), Alexandre Serfiotis (PSD) e Chico D'Angelo (PDT) assinaram um documento a ser entregue para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). O governador Wilson Witzel montou um gabinete de crise, com a secretaria estadual de saúde, para o mesmo propósito.

Saúde em estado grave

Para denunciar a situação dos hospitais, o ex-técnico de enfermagem do Hospital Albert Schweitzer André Luiz Prazeres se acorrentou à porta da unidade. Vestido com um jaleco branco com frases em vermelho que diziam "Fora Os", "Justiça Já" e "SOS Saúde SUS", o profissional de saúde alegou que foi demitido após divulgar as condições da unidade. 

Pacientes que foram a unidade tiveram que retornar para casa ou seguir em busca de atendimento em outras unidades hospitalares. Na manhã da segunda-feira (9), funcionários da unidade alegaram que apenas um médico estava realizando atendimentos na manhã daquele dia.

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