Tamanho do texto

Cunhado desconfia que "alguém importante" pediu para Alberto Jorge Ferreira Mateus não comentar; porteiro citou Bolsonaro no caso Marielle

condomínio arrow-options
Pablo Jacob / Agência O Globo
Fachada do condomínio Vivendas da Barra, onde mora o presidente Jair Bolsonaro

O porteiro do condomínio de Jair Bolsonaro, que citou o ex-presidente em depoimento sobre o caso Marielle Franco, está feito um "animal acuado", de acordo com familiares ouvidos pela Revista Veja,  e foge quando se toca no assunto.

Leia também: PF vai investigar se porteiro cometeu crime ao citar Bolsonaro em depoimento

“Eu não estou podendo falar nada. Não posso falar nada”, afirmou o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, Alberto Jorge Ferreira Mateus, à Veja.   A revista afirma que ele mora na Gardênia Azul, bairro fincado em área dominada por milícias na Zona Oeste do Rio de Janeiro. "Não sei se alguém importante mandou ele não falar. Quando alguma pessoa chega perto e toca no assunto, ele foge”, afirmou o cunhado de Alberto. 

“Ele é uma pessoa do bem, nunca se meteu com coisa que não presta. Depois de muito tempo desempregado, conseguiu esse serviço no condomínio. Agora está com muito medo de perder o emprego e até de morrer”, afirmou outro parente, que preferiu não se identificar.

No fim de outubro, o Jornal Nacional noticiou que registros do condomínio Vivendas da Barra deram conta de que um dos suspeitos do assassinato, o ex-policial militar Élcio Queiroz, esteve horas antes do crime na de Ronnie Lessa,  suspeito de ser o executor da ação, que mora no local.

Em depoimento, o porteiro informou que Élcio Queiroz anunciou que iria não à casa de Lessa, mas à de número 58, que é a residência de Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. Ainda segundo a reportagem, em seu depoimento, o porteiro afirmou ter interfonado para a casa do então deputado federal e que “seu Jair” havia autorizado a entrada do visitante.

Leia também: Eduardo e Carlos Bolsonaro criticam decisão do STF: "pobre dos brasileiros"

Contudo, registros de presença da Câmara dos Deputados demonstram que naquele dia o então deputado estava em Brasília. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o porteiro mentiu sobre a ligação para a casa da família do presidente.