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Coronel Robadey, comandante do Corpo de Bombeiros, afirmou que oficiais sufocaram com a fumaça mesmo utilizando equipamentos corretos

Bombeiros fazendo resgate arrow-options
Reprodução/Extra
Bombeiros saíram do local desacordados e foram encaminhados ao Hospital Municipal, no centro do Rio.

A causa da morte dos três bombeiros que faziam parte da operação de combate ao incêndio da whiskeria Quatro por Quatro , na Rua Buenos Aires, no Centro do Rio , nesta sexta-feira (18) pode ter sido a falta de oxigênio nos equipamentos de segurança. Para Wesley Pinheiro, que por dez anos foi responsável pela Brigada de Incêndio do Coppe-UFRJ e hoje possui um Centro de Treinamento de Incêndio, ou eles estavam com a máscara mal colocada, ou precisaram retirá-la devido a algum problema dentro do imóvel.

Até o momento, três homens do Corpo de Bombeiros morreram enquanto tentavam combater o fogo no interior da casa. As causas seguem desconhecidas e são apuradas pela corporação, e o Secretário de Defesa Civil , Coronel Roberto Robadey , afirma que todos os equipamentos de segurança estavam sendo utilizados, e que os homens eram experientes.

"Eles não estavam (com a máscara), porque não tem como. A pressão da máscara é positiva, ou seja, ela pressiona o seu rosto todo, tampa sua boca, nariz e olhos. Ela mantém a máscara sempre pressurizada. Só há duas hipóteses neste caso: ou as máscaras foram mal colocadas, aí pode sim entrar o contaminante, ou eles não estavam utilizando-a. Pode ter acontecido de, em dado momento, ter acabado o oxigênio e os bombeiros precisaram retirá-la", afirmou o Pinheiro.

O brigadista diz que vê indícios de que possa ter acontecido algum equívoco durante a operação.

"Há indícios de que houve erro de operação. Eles deviam estar com o cilindro com pouco ar, e o certo é entrar com o equipamento cheio. Vale ressaltar também que, dependendo da forma como você respira, se está muito ofegante, seu cilindro pode durar apenas 1 minuto. Há um sinal que apita se o ar está acabando, e o bombeiro que está com o cilindro deve ter um rádio para se comunicar com a equipe do lado de fora", acrescentou.

Ele diz que, em situações como esta, deve haver uma estratégia bem definida.

"As nossas técnicas de combate a incêndio ainda são muito convencionais, então as vezes nós acabamos arriscando nossas equipes. Mesmo em situações como esta sem vítima, ou quando há vítima em perigo, nós precisamos avaliar muito antes de colocarmos profissionais dentro de um cenário como este. Às vezes o layout do imóvel é desconhecido, a estrutura, do que ele é feito, tudo deve ser analisado, de forma estratégica, também para que os homens não se percam lá dentro."

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Mortes de bombeiros em combate a incêndio no Rio não são comuns. O instinto de heroísmo nestes momentos, a vontade de resolver a situação o quanto antes, é uma característica destes profissionais, mas também pode ser fatal nestas situações, de acordo com o brigadista.

Equipamentos inflamáveis e materiais tóxicos são possibilidades para incêndio e mortes

A causa do incêndio também segue desconhecida. Testemunhas afirmam ter ouvido uma explosão em dado momento, antes de a fumaça se alastrar pelas ruas do Centro. O especialista aponta para alguns pontos que podem ter contribuído para o que acabou se tornando uma tragédia.

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"Locais como a Quatro por Quatro são fechados, há muita compartimentação, construída com materiais que dificilmente seguem cuidados para casos de incêndio, há acúmulo de materiais inflamáveis, como bebidas alcoólicas e equipamentos de higiene, ou até mesmo bujões de gás, o que pode ter causado uma explosão, além de algum possível revestimento tóxico. Estas divisórias podem ter, inclusive, ter dificultado a saída dos militares que morreram."

Por fim, ele lamentou a morte dos oficiais.

"Por anos os bombeiros do Rio são lembrados como heróis. Esta tragédia irá repercutir no mundo inteiro, uma situação muito triste", concluiu.

Nota do Corpo de Bombeiros sobre o incêndio

Por meio de assessoria de imprensa, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) confirma que, na tarde desta sexta- feira (18.10), três militares morreram durante a atuação no combate a um incêndio na Rua Buenos Aires, 44, no Centro.

Outro bombeiro foi encaminhado para uma unidade hospitalar. A corporação vai abrir uma sindicância para apurar as causas do ocorrido. Equipes de assistentes sociais já estão em contato com os familiares das vítimas.