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Filhos de Carmem Silva estavam presos desde 24 de junho acusados de extorsão com moradores da ocupação 9 de Julho, no centro de São Paulo

Amigos e advogados de Preta Ferreira comemoram o habeas corpus arrow-options
Leandro Calixto
Amigos e advogados de Preta Ferreira comemoram o habeas corpus


Três desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo concederam, por unanimidade, no início da tarde desta quinta-feira (10), habeas corpus (HC) de soltura para a ativista e apresentadora Preta Ferreira e para seu irmão, Sidney Ferreira. Juntamente com outras lideranças do Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC), eles estavam cumprindo prisão preventiva desde o dia 24 de junho acusados de crime de extorsão contra pessoas que viviam em ocupações comandados pelo movimento.

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As páginas do inquérito fazem menções de supostas vítimas, que acusam de forma anônima Carmem Silva, principal liderança do movimento, de ser a responsável pela suposta extorsão.
Na semana passada, a líder da ocupação 9 de Julho, no centro de São Paulo, que também teve sua prisão decretada, conseguiu o HC. Ela é mãe de Preta e Sidney. Ao contrário dos filhos, porém, Carmem não se apresentou à Justiça e ficou foragida durante esse período.

“A partir de agora, eles irão responder todas as acusações em liberdade. Não existe prova contra nenhum deles. São prisões arbitrárias. A Carmem incomoda porque faz um trabalho de ocupação exemplar para quem não tem moradia na cidade. Isso incomoda os poderosos e o setor imobiliário que quer especular nesses prédios que estavam vazios e desocupados”, diz o advogado Lúcio França, que integra o Movimento Tortura Nunca Mais.

As investigações contra os movimentos de ocupações de São Paulo começaram em maio do ano passado, após a queda do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paysandu , depois de um incêndio generalizado. Na época, os responsáveis dessa ocupação foram acusados de extorquir os moradores.

Repercussão entre famosos

Ao final do julgamento do HC, advogados, amigos e familiares de Preta Ferreira deixaram as dependências do Tribunal de Justiça de São Paulo rumo ao encontro dos dois ativistas.

“Finalmente foi feita justiça. A Preta é vítima de uma perseguição por ser negra e líder comunitária”, disse um morador da Ocupação 9 de Julho .

Assim que a Justiça concedeu o HC, rapidamente artistas que realizam trabalhos voluntários na ocupação 9 de Julho, comandado por Carmem, repercutiram e comemoraram a soltura da Preta nas redes sociais. Entre eles, cantoras como Maria Gadu, Mariana Aydar, Chico César e Ana Cañas.


A expectativa é que Preta e Sidney saiam ainda nesta quinta-feira do presídio Feminino de Santana e do Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, respectivamente. O cartório do TJ já despachou alvará de soltura para os dois. Faltava chegar no sistema prisional para que todo o trâmite de soltura fosse concretizado.