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Filha do bicheiro Maninho, assassinado em 2004, foi vítima de atentado na última terça-feira e disputa herança do pai com família há cerca de 15 anos

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Rede Globo / Arquivo
Bicheiro Maninho morreu há 15 anos no Rio

A disputa pelo controle dos pontos de jogo não é a única da família do bicheiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho, assassinado em setembro de 2004. Há 15 anos, se arrasta na Justiça uma briga pelos bens acumulados em vida pelo contraventor.

O processo do inventário do bicheiro teve início pouco mais de dois meses após a sua morte, e até hoje não teve um desfecho. A disputa já envolveu até mesmo a invasão de uma das fazendas do contraventor e gados roubados do local.

Em janeiro de 2008, Alcebíades Paes Garcia, o Bidi, irmão d Maninho, procurou a Polícia Civil para relatar que sua sobrinha, Shanna Harrouche Garcia, havia invadido sua fazenda, localizada na Estrada Rio-Friburgo. O imóvel também era de Maninho e faz parte do espólio do bicheiro.

De acordo com o relato de Bidi, Shanna esteve na fazenda com um “capataz”, além de outros homens armados, e retirou vários gados do local. Ainda segundo Bidi, Shanna determinou que o “ capataz ” expulsasse todos os empregados da fazenda, e deixou homens armados na propriedade. Ela também trocou os cadeados do imóvel.

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Shanna foi vítima de uma tentativa de homicídio na última terça-feira (8), ao chegar em um centro comercial no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. O caso, registrado inicialmente na 16ª DP (Barra da Tijuca), passou na quarta-feira (9) para Delegacia de Homicídios da capital (DH), que ficará responsável pelo inquérito. Em nota, a Polícia Civil informou que o caso foi transferido, pois pode ter ligação com o assassinato de Myro Garcia, filho de Maninho e irmão de Shanna , morto em 2017.

Na lista de bens de Maninho, além da fazenda, há ainda imóveis em bairros como Copacabana e Ipanema. Logo após a morte de Maninho, Shanna foi nomeada inventariante, ou seja, era a responsável pela administração dos bens deixados pelo pai. Ela acabou tendo sua atuação questionada pelos irmãos , Tamara e Myro.

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Na época, Tamara alegou que foram vendidos diversos bens do pai, incluindo cavalos, sem que ela fosse notificada, segundo informações do site do Tribunal de Justiça. Os animais teriam sido negociados em um leilão pela TV. Além disso, Tamara reclamou que Shanna não depositou os rendimentos do espólio, incluindo o recebimento de aluguéis. Para tentar resolver a questão, a Justiça decidiu nomear um inventariante judicial para administrar o espólio de Maninho.

Nos últimos anos, durante um período, o processo chegou a ficar sem inventariante. No início de 2019, Tamara foi indicada para ser inventariante . Shanna se opôs, mas ainda assim a irmã foi nomeada para a função no mês passado. Constam no processo como herdeiros Shanna, Tamara e Sabrina, que é viúva de Maninho e mãe das duas filhas do contraventor.