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Foram 7.109 mortes a menos do que no mesmo período de 2018.

A cada doze minutos, em média, uma pessoa foi assassinada no Brasil durante o primeiro semestre de 2019. Foram 24,4 mil mortes violentas entre janeiro e julho deste ano. Apesar de alarmante, são 7.109 mortes a menos do que no mesmo período de 2018, quando 31,5 mil pessoas foram assassinadas.

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Os dados são do Monitor de Violência , projeto do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo ( NEV-USP ), do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do site G1 . Foram considerados dados oficiais de 26 estados e do Distrito Federal.

Nenhum estado teve aumento no número de mortes . O índice mais baixo da queda foi no Piauí, onde os assassinatos diminuíram 3,4%. Ceará, Rio Grande do Norte e Acre tiveram quedas superiores a 30%. 

Desde 2018, os índices de mortes violentas têm diminuido. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública , ano passado foi a maior queda desde 2007, com redução de 13%.

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Em 2017, aconteceram diversos conflitos entre as facções Comando Vermelho e PCC. Isso fez os homicídios aumentarem alarmantemente – foi o ano com mais mortes violentas, atingindo 63.880 vítimas.

Bruno Paes Manso , pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV-USP), explica que a queda está associada a questões circunstanciais e a melhoras de políticas públicas.

“Os conflitos diminuíram [a partir de 2018] porque boa parte dos chefes das facções,que davam a ordem para que eles acontecessem, estavam dentro das prisões, mais vulneráveis a ações do governo”.

Mortes por policiais

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Apesar da queda, o número de mortes causadas por polícias têm crescido. Em 2018, houve aumento de 20% em comparação a 2017. A cada 100 mortes, 11 eram causadas por polícias no último ano.

“São sintomas do mesmo problema, mas um não é condição do outro”, responde o pesquisador do NEV-USP.

“A polícia que acredita que a violência é solução e mata como se isso resolvesse o problema é uma polícia criminosa”, explica.

Ainda não há um levantamento nacional de mortes por polícias. Na cidade de São Paulo , a cada três mortes que ocorreram no primeiro semestre deste ano, uma era de autoria policial, de acordo com o Instituto Sou da Paz . A taxa é similar à de 2018.

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De janeiro a agosto deste ano, o estado do Rio de Janeiro atingiu o maior índice da série histórica, com 1.249 assassinatos cometidos por policiais, segundo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio.

“É um trabalho muito difícil, que envolve um compromisso muito forte com a legalidade. Quando se promove um discurso de guerra, isso incentiva ações truculentas”, comenta o pesquisador sobre falas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ou do governador carioca Wilson Witzel (PSC) em defesa a uma polícia mais incisiva.

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