ricoy
Reprodução
Novas fotos revelam outros casos de tortura em supermercado onde jovem foi chicoteado

Novas imagens divulgadas nesta quarta-feira (4) pelo portal Brasil de Fato revelam que a sessão de tortura à qual um adolescente de 17 anos foi submetido em uma unidade do supermercado Ricoy, em São Paulo, não foi um episódio isolado. O caso, que provocou revolta no início desta semana, resultou na  decretação da prisão temporária dos dois seguranças envolvidos no episódio, ocorrido na unidade da rede situada na Vila Joaniza, zona sul de São Paulo.

Fotos publicadas pelo portal mostram outro jovem jogado ao chão, preso ao corrimão de uma escada e com as pernas amarradas, coberto de hematomas que aparentam ter sido provocados por golpes com chicote. Ao seu lado, aparecem empilhados produtos como desodorantes, chicletes e um frasco de shampu, que supostamente teriam sido alvos de tentativa de furto. Uma das fotos deixa aparente o logotipo da rede Ricoy .

Não há confirmação se o caso se deu na mesma unidade onde o adolescente de 17 anos foi torturado após tentar roubar uma barra de chocolate, na Vila Joaniza. Também não há informação sobre a data em que esse outro episódio ocorreu.

jovem
Reprodução/Brasil de Fato
Outro jovem foi alvo de agressão em unidade do supermercado Ricoy


O Brasil de Fato também  publicou um vídeo no qual um funcionário ameaça uma criança, que chora enquanto clama para ser liberada.  "Não vou fazer mais isso não", diz a criança.

"Mano, você vai ficar lá, numa cela. Cheio de moleque da sua idade ou mais velho. Tem uns lá que gostam de abusar de outro moleque. Olha que legal. Tem uns que vão te dar uma surra bem dada. Olha que legal. O bom é que lá você vai aprender a roubar. Você não tem uma irmãzinha? Então. Você vai ficar sem ela. Daqui a dez minutos está encostando a viatura e aí você se resolve lá com a bandidagem", responde o funcionário.

Mais uma vez, não há confimação sobre onde e quando as imagens foram captadas. Entidades da sociedade civil convocaram protestos para este sábado, em frente à unidade da rede na Vila Joaniza.

O advogado Ariel de Castro Alves, conselheiro do Condepe e que atuou no inquérito policial instaurado contra os autores da agressão ao jovem no supermercado da Vila Joaniza, disse à reportagem do iG que encaminhou as novas imagens ao delegado responsável pelo caso, no 80º Distrito Policial.

Leia também: MPF quer apurar suposta prática de tortura por agentes enviados por Moro ao Pará

O defensor celebrou a decisão da Justiça paulista em decretar a prisão temporária, por 30 dias, dos seguranças responsáveis pela sessão de tortura ocorrida no início desta semana: Valdir Bispo dos Santos e Davi de Oliveira Fernandes, funcionários de uma empresa privada de segurança que prestava serviços para o supermercado.

"É uma decisão muito importante que reconhece a gravidade do crime de tortura praticado contra o menino negro e em situação de rua. Que seja o primeiro passo para a punição dos responsáveis pelos atos brutais e cruéis que o adolescente foi vítima. Que o caso sirva de exemplo para coibir outras práticas de tortura. Esses casos infelizmente ocorrem com frequência, mas dificilmente são filmados. Acabam acobertados e os acusados ficam impunes", disse o advogado.

Em nota enviada à reportagem do iG , o Ricoy informou que está investigando "todo e qualquer caso de violência que possa ter ocorrido em suas dependências". "E vai colaborar,
como tem sido a prática, de maneira proativa com as autoridades para garantir que a lei seja aplicada de forma rigorosa", assegurou a rede. Às 12h24 desta quinta-feira (5), a empresa divulgou nova versão do texto:

Diante dos graves fatos apresentados nos últimos dias, o Ricoy Supermercados enfatiza:

1- Repudia todos os casos de violência que ocorreram dentro e nos arredores de suas lojas por funcionários ou terceirizados.

2 - Todos os casos de agressão, discriminação ou violação dos direitos humanos devem ser punidos com o maior rigor da lei. Por isso o Ricoy está colaborando com as investigações de forma irrestrita e proativa. Aliás, os seguranças, que não trabalham mais em nossos supermercados, já tiveram a prisão decretada pela Justiça.

3 - Se ficar comprovado que qualquer funcionário participou de atos de violência de qualquer natureza, será afastado e demitido sumariamente.

4 - A acusação de que adota como prática a utilização de métodos obscuros diante de casos de furto dentro de suas lojas é totalmente falsa e descabida.

5 - A orientação sempre foi encaminhar para a autoridade policial quem for flagrado furtando objetos ou produtos dentro das lojas.

6 - Jamais orientou-se qualquer conduta que estimule a violência, a discriminação, a coação, o constrangimento ou a força desmedida e desnecessária. Qualquer um desses métodos são inaceitáveis nesta ou em qualquer época.

7 - A assistente social está empenhada em promover o acolhimento dos envolvidos no caso em todas as necessidades que forem identificadas.

    Veja Também

      Mostrar mais