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Arquivo / Agência Brasil
Polícia Federal cumpre mandado em cinco prefeituras diferentes do interior

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (3/9) a Operação Vagatomia, que investiga um grande esquema de fraudes na concessão do Financiamento Estudantil do Governo Federal (Fies ) e na comercialização de vagas e transferências de alunos do exterior, principalmente do Paraguai e da Bolívia, para o curso de medicina em Fernandópolis, no interior de São Paulo. Bolsas do Prouni e fraudes relacionadas a cursos de complementação do exame Revalida também estão sob investigação da PF.

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Cerca de 250 agentes da PF estão cumprindo 77 mandados judiciais expedidos pela Justiça Federal de Jales nas cidades paulistas de Fernandópolis, São Paulo, São José do Rio Preto, Santos, Presidente Prudente, São Bernardo do Campo, Porto Feliz, Meridiano, Murutinga do Sul, São João das Duas Pontes, e em Água Boa, no Mato Grosso.

Entre os mandados judiciais expedidos estão 11 prisões preventivas, 11 prisões temporárias, 45 ordens de busca e apreensão e 10 medidas cautelares (alternativas à prisão). A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o valor de R$ 250 milhões.

No início do ano, a PF recebeu informações sobre crimes e irregularidades que estariam ocorrendo no campus de um curso de medicina em Fernandópolis . Vagas para ingresso, transferência e financiamentos Fies para o curso de medicina estariam sendo negociados por até R$ 120 mil por aluno.

Estimativas iniciais da PF indicam que, nos últimos cinco anos, aproximadamente R$ 500 milhões do Fies e Prouni foram concedidos fraudulentamente.

Durante oito meses de investigações , a PF concluiu que o líder da organização criminosa é o próprio dono da universidade, que também ocupa o cargo de reitor. O empresário de 63 anos, e seu filho, que também é sócio do grupo educacional, não só tinham conhecimento, mas também participavam dos crimes em investigação. Uma estrutura formada por funcionários e pessoas ligadas à universidade dava condições para que as fraudes fossem realizadas.

Entre os alunos que compraram suas vagas e financiamentos existem filhos de fazendeiros, servidores públicos, políticos, empresários e amigos dos donos da universidade, todos com alto poder aquisitivo, que mesmo sem perfil de beneficiário do Fies, mediante fraude, tiveram acesso aos recursos do Governo Federal.

A PF estima que milhares de alunos carentes por todo o Brasil podem ter sido prejudicados em razão destas fraudes.

No decorrer das investigações, a PF identificou ameaças do dono da universidade aos alunos que fizeram as denúncias, além de tentativas de influenciar e intimidar autoridades, destruição e ocultação de provas, dentre outras ilegalidades .

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De acordo com as investigações, os empresários estariam investindo os recursos obtidos com as fraudes em imóveis urbanos e rurais no Brasil e no exterior, além da compra de aeronaves (helicóptero, jatinho e avião) e dezenas de veículos de luxo, que estão sendo bloqueados nesta data.

Os alunos e pais que aceitaram pagar pela vaga também responderão pelos crimes em investigação na medida de suas culpabilidades.

O nome da operação Vagatomia faz alusão ao termo “tomia” que significa “corte”, comumente utilizado no meio da medicina em procedimentos cirúrgicos.

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