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Pessoas utilizam escada improvisada com lençóis para entrar e morar nas colunas de sustentação de viaduto na frente do Parque Olímpico do Rio

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Google Street View/Reprodução
Viaduto na frente do Parque Olímpico é utilizado como moradia para pessoas sem casa

Quem passou pelo viaduto que liga as avenidas Abelardo Bueno e Salvador Allende, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, no fim da manhã do domingo (25), deparou-se com uma cena inusitada: um homem escalava os pilares de sustentação da construção com auxílio de uma escada feita de lençóis. Thiago Fernandes, de 34 anos, e mais 16 pessoas moram, atualmente, dentro dos pilares da ponte, em frente ao Parque Olímpico. A situação do grupo é mais um retrato da falta de emprego e de habitação no Rio de Janeiro.

Pedreiro desempregado, Thiago e a mulher, que prefere não se identificar por envergonhar-se de sua atual situação, catam latinhas próximo a bares, restaurantes e nas areias das praias. Com a venda do material reciclável, o casal consegue, em média, R$ 40 por dia.

“Tem dias em que só dá R$ 20”, conta a mulher, que com o dinheiro costuma comprar arroz, feijão e linguiça para cozinhar em um fogão à lenha improvisado. “Corremos atrás para comer. O que nos falta é emprego”, completa Thiago.

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Antes de ir para as ruas, o casal morava próximo à Estrada do Pontal, no Recreio. Sem emprego, deixou cinco filhos — com idades entre 3 e 15 anos — com a avó materna. O mais novo, que completará 1 ano no próximo domingo, nasceu quando os pais já estavam morando na rua e agora está sob os cuidados da irmã de Thiago, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

“Só amamentei meu filho no hospital, por dois dias”, conta a mãe, chorando: “Só o vi cinco vezes. Ele não vai me reconhecer como mãe, mas sei que está sendo bem cuidado pela minha cunhada”, afirma.

A distância e a passagem cara são pedras no caminho dos pais que gostariam de estar ao lado do caçula e comemorar seu primeiro ano de vida. Longe dos seis filhos, o casal se esforça para sobreviver.

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“Desde ontem, não comemos nada, só o lanche que um PM deu”, relata ela, que recebeu assistência de policiais militares que patrulhavam a região por volta das 23h de sábado. Após falar sobre as poucas doações que recebem, especialmente de integrantes de igrejas do bairro, o pedreiro desempregado falou sobre seu sonho:

“Eu sou do bem, aqui não tem inimigo. Eu só queria trabalhar e ter uma casa para ficar com meus filhos”, afirmou. Procurada, a prefeitura não informou se já realizou ações de acolhimento no local.