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Perícia no corpo de Emyra Waiãpi não confirmou versão de que ele teria sido morto a facadas; seu corpo foi encontrado na mata no dia 23 de junho

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Iphan/Heitor Reali
Indígenas da tribo Waiãpi denunciaram invasão em suas terras

O laudo necroscópico do corpo do líder indígena Emyra Waiãpi não encontrou evidências de que ele morreu durante algum tipo de confronto e constatou que a causa provável da sua morte foi afogamento. A constatação, divulgada nesta sexta-feira pela Polícia Federal, contradiz a versão dada pelos índios da região de que ele teria sido assassinado a facadas por garimpeiros que teriam invadido a terra indígena localizada no Oeste do Amapá.

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 O corpo de Emyra Waiãpi foi encontrado na mata no dia 23 de junho. Ele era uma das principais lideranças da etnia. No início desse mês, no entanto, o corpo de Emyra foi exumado e periciado por uma equipe da Polícia Técnica do Estado do Amapá. Segundo nota divulgada pela Polícia Federal, o laudo não encontrou evidências de que Emyra foi morto em uma situação de conflito.

O laudo, segundo a PF, “não encontrou lesões de origem traumática que pudessem ter ocasionado o óbito”. Os peritos também afirmaram que a lesão encontrada na cabeça de Emyra era superficial e que não gerou nenhuma fratura no local.

O exame do tórax do indígena não teria, segundo a PF , localizado nenhuma lesão penetrante, coincidente com a versão de que Emyra teria sido esfaqueado.

“O exame do tórax do indígena também não evidenciou a existência de lesões penetrantes, desmentindo as primeiras notícias que davam conta de que a liderança teria sido atacada a facadas”, diz um trecho da nota divulgada pela PF. Para os peritos que examinaram o corpo do líder, a causa provável de sua morte é afogamento.

“O Laudo conclui que o conjunto de sinais apresentados no exame, corroborado com a ausência de outras lesões com potencial de causar a morte, sugere fortemente a ocorrência de afogamento como causa da morte de Emyra Waiãpi”, diz a PF em nota.

A reportagem procurou o Conselho das Aldeias Waiãpi (Apina), entidade que reúne as lideranças da etnia, mas foi informada por telefone de que os índios estão em uma atividade no interior da terra indígena e que não haveria ninguém que pudesse comentar o resultado do laudo.

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Reviravolta

A constatação do laudo necroscópico sobre a morte do indígena é uma reviravolta no caso. Logo após a divulgação do suposto assassinato de Emyra, diversos políticos de oposição e movimentos sociais fizeram alertas sobre a invasão da terra indígena e do avanço de garimpeiros na região.

A suposta invasão da terra indígena Waiãpi chegou a ser detalhada em um documento interno da Fundação Nacional do Índio (Funai) baseado em relatos dos próprios índios. Segundo o memorando, um grupo de aproximadamente 15 invasores teria entrado na terra indígena e estaria se concentrando na aldeia Aramirã, obrigando os índios a se concentraram na comunidade vizinha, Marity.

Em meio à comoção causada pela morte de Emyra, a PF enviou uma equipe ao local, mas os agentes não encontraram indícios da existência de invasores na área.

A morte de Emyra Waiãpi acontece em meio à polêmica causada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) que vem prometendo regulamentar a mineração dentro de terras indígenas, atividade criticada por diversas lideranças.