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A mulher dele, Suelen, também presa, relatou ter sido mal tratada e afirmou que os policiais se negaram a fornecer absorvente: 'Fizeram piadinha comigo'

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Reprodução
Gustavo Henrique Elias Santos

O DJ preso por suspeita de fazer parte do esquema de invasão de contas do Telegram de autoridades, Gustavo Henrique Elias Santos , disse nesta terça-feira (30) ter sido vítima de violência psicológica praticada por agentes da Polícia Federal quando foi preso. Ele disse ainda a PF ainda o impediu de entrar em contato com seu advogado, Ariovaldo Moreira. A declaração de Santos foi feita durante a audiência de custódia realizada na 10ª Vara da Justiça Federal do DF.

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Santos afirmou que, fisicamente, foi bem tratado pelos policiais que participaram de sua prisão, mas disse que foi alvo de violência psicológica . "Fisicamente, me trataram super bem, mas psicologicamente fui bem agredido verbalmente. Me chamara de bandido, hacker, e outras coisas", disse Gustavo.

Segundo ele, sua mulher, Suelen Priscila de Oliveira, que está presa, também teria sido alvo de violência psicológica. De acordo com Gustavo, ela teria precisado de absorventes e a PF não os forneceu. No momento em que ela foi chamada a falar, Suelen, chorando, disse ter sido mal tratada. "Me trataram mal. Fizeram piadinha comigo. Eu nunca fiz nada para ninguém", afirmou Suelen.

O GLOBO tenta contato com a PF sobre as alegações. Santos e Suelen negam participação na invasão de contas do Telegram de autoridades.

Em depoimento à PF, Santos afirmou que teve as contas do WhatsApp e Telegram hackeadas por Walter Delgatti Neto, que confessou ter invadido os celulares de diversas autoridades. O suspeito afirmou ainda que Delgatti mandou uma mensagem a ele se “vangloriando” de ter acessado o aparelho do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e que fez um print da tela do notebook do hacker, contendo ícones do Telegram de autoridades, quando recebeu uma ligação em vídeo de Delgatti.

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Na Operação Spoofing, agentes da Política Federal identificaram movimentações financeiras suspeitas de Santos e Suelen. Segundo a PF, entre abril e junho de 2018, o DJ movimentou R$ 424 mil. Já Suelen, R$ 203 mil, entre março e maio de 2019. Foram encontrados ainda R$ 99 mil em dinheiro vivo na casa deles. Santos atribuiu à quantia ao lucro de operações com bitcoin.