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Funai não confirmou a invasão, mas prometeu mandar autoridades ao local. Índios relatam homens com metralhadoras e conflito pode escalar

Índios da tribo Waiãpi arrow-options
Iphan/Heitor Reali
Índios da tribo Waiãpi

Um grupo de 50 garimpeiros invadiu a aldeia indígena Waiãpi, na cidade de Pedra Branca do Amapari, no Amapá, resultando na morte de pelo menos um cacique, que não teve a identidade divulgada. De acordo com o Coordenador Indígena do município, Kurani Waiãpi, os índios notaram os garimpeiros ao redor da aldeia nos últimos dias, mas o ataque só teria acontecido no sábado.

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Em um vídeo ao lado da prefeita da cidade, Beth Pelaes, ele conta que os invasores estão fortemente armados, “com metralhadoras e roupas do exército”. Para ele, a vestimenta serve para confundir os locais. Por conta do ataque a terra indígena , os grupos da região estão se reunindo em outra aldeia, em Aramirã.

Com a possibilidade de o conflito escalar, a prefeita também fez um apelo no vídeo: “quero dizer que já acionei o Ministério Público Federal, já pedi ajuda, por que está circulando um vídeo que diz que se a Funai ou ninguém aparecer, algo pior pode acontecer”.

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O senador Randolfe Rodrigues também comentou sobre a invasão em suas redes sociais. No Instagram, ele explicou que até a tarde de sábado nenhuma autoridade tinha atendido aos pedidos das lideranças locais: “Os relatos que nos chegam dão conta de que dois caciques foram assassinados. Da madrugada até agora (final da tarde de sábado) não teve nenhuma manifestação da Funai, nem foi possível contato com a Polícia Federal para ser tomada alguma providência.  Os informes que temos é que se até o dia de hoje não tiver nenhuma providência por parte das autoridades, os Waiãpi irão entrar em conflito com os garimpeiros”. A segunda morte citada pelo senador não foi confirmada.

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A Funai se manifestou na noite de sábado e afirmou que tanto o BOPE como a Polícia Federal estavam a caminho para apurar os fatos do que eles chama de “suposta” invasão. De acordo com eles, “não há registros de conflito, apesar de ter sido confirmado um óbito”. A nota ainda diz que o local é de difícil acesso, “mesmo assim, a equipe da Funai e da PF permanecerão no local para garantir a integridade dos indígenas e apuração dos fatos”.